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Quanto custa proteger o futuro da humanidade do aquecimento global?

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Como quase tudo no planeta Terra, proteger o futuro da humanidade do aquecimento global desenfreado tem um preço. Segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), o investimento necessário para isso é de U$ 4,4 trilhões anuais.

Esse valor possibilitaria que ao menos 90% da matriz energética instalada em todo o mundo fosse transformada e pudesse produzir energia limpa, com modalidades energéticas renováveis, tais como: hidrelétricas, eólicas e solares. Com isso, segundo a Irena, haveria possibilidade de limitar o aquecimento global a 1,5ºC até 2050, objetivo perseguido pelos cientistas que compõem o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU.

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Os mesmos cientistas alertaram no último relatório do Painel, em 9 de agosto, que ainda que se estabilize o aquecimento da Terra em 1,5ºC, haverá consequências desastrosas para a humanidade, tais como o aumento de secas, inundações, tempestades, extinção de animais, entre outras situações.

A economia contra o fim do mundo

De acordo com a Irena, cujo relatório foi comentado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), para atingir os 4,4 trilhões de dólares, seria necessário que houvesse "capital público, privado e de instituições financeiras de desenvolvimento". Em outras palavras, além do investimento público, seria necessário contar com empresas e também com Bancos Públicos, como o BNDES, a Caixa e o Banco do Brasil - no caso brasileiro.

E mais, a Irena ainda afirma que todo esse investimento poderia transcender o aspecto ambiental, aumentando o Produto Interno Bruto (PIB) dos países, em média, de 2,4% durante todo esse período de transição da matriz energética. E depois disso, o PIB dos países poderia continuar crescendo 1,2% somente no setor energético.

Porém, os países que hoje sobrevivem principalmente do petróleo - como é o caso da Venezuela, Arábia Saudita, Canadá, Irã, Iraque e Kwait - que possuem as maiores reservas do combustível fóssil teriam um impacto negativo.

Entretanto, existe uma possibilidade de regular economicamente esse tipo de perdas. Segundo o relatório da Irena, “o que ressalta a necessidade de um marco político abrangente para endereçar as mudanças causadas pela redução da dependência dos combustíveis fósseis”.

A troca de matriz energética criaria uma nova cadeia de produção

Conforme a Irena, haveria uma grande demanda de novos produtos e serviços para transformar a matriz energética em todo o mundo. Isso geraria a criação de empregos e riqueza desde a pesquisa até a fabricação de equipamentos, o que fomentaria um aumento de 0,9 pontos percentuais no potencial de geração de empregos, "somando 122 milhões de vagas em 2050".

Segundo Joísa Dutra, diretora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura (FGV Ceri), “É uma nova forma de organizar a sociedade”.