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"Projeto de nação em vigor potencializa os estragos da pandemia", diz Cláudia Ricaldoni em Congresso da Anapar

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Imagem do site Recontaai.com.br

A previdência complementar e a retomada do crescimento norteiam o 22º Congresso Nacional da Anapar que acontece hoje (27) e amanhã (28) de forma virtual. Neste primeiro dia de debates, Cláudia Ricaldoni - integrante do Conselho Deliberativo da Forluz, falou sobre os investimentos de longo prazo e os impactos da crise econômica nos fundos de pensão. Ela também criticou a política econômica neoliberal do governo Bolsonaro.

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“O que vimos depois de 2015 foi a crise política, que alimentou a crise econômica. A situação foi se agravando e muitas entidades não fizeram o ‘dever de casa’. Passamos a viver uma crise econômica no País, inclusive com a criminalização de dirigentes", disse. "Não estou dizendo que possa ter havido desvio, mas o que aconteceu foi a criminalização de um modelo de investimento, deixando os gestores em pânico. Então, a opção dos gestores foi comprar títulos públicos ainda que não remunerasse de forma adequada os planos, mas isso estamos falando antes da crise”, explicou.

"Estamos colhendo agora as consequências do mercado deprimido, que não se recuperou"

Cláudia Ricaldoni

Segundo ela, a forma encontrada pelas patrocinadoras se defenderem  com o agravamento da crise foi transferir para os  participantes o ônus, inclusive sem respeitar contratos. Comentou que a crise que vinha em 2015 foi potencializada com  a  pandemia e o desemprego. Isso fez com que as patrocinadoras  tivessem dificuldades em honrar os compromissos  com as fundações, sendo que muitas começaram a utilizar  saldos não resgatados para pagamento de contribuição normal.

"No nosso País, as empresas olham hoje para nossos fundos de pensão e não enxergam  como investimento ou política de recursos humanos. Elas enxergam  como custos", criticou. “A gente deveria discutir como alavancar o desenvolvimento do País, mas neste momento falamos de como empurrar a conta para os mais fracos”, emendou.

Em relação ao futuro, disse que dependerá dos cidadãos que compõem o País. Para ela, é necessário outra visão de sociedade para que se possa “sair desse atoleiro”

“O problema do País é que a visão de sociedade,  o projeto de nação em vigor potencializa os estragos que a pandemia faz. Basta imaginar que estamos num rally: todos nós teríamos que passar por ele, mas o grande problema é quem dirige o carro ou o navegador. O nosso carro nesse rally está sendo dirigido por uma visão ultraliberal que trabalha o tempo todo em favor de uma minoria em detrimento de uma  maior”, disse.

Ricaldone lembrou que os gastos em saúde, educação e previdência estão congelados por vinte anos e que a reforma trabalhista flexibilizou regras e retirou direitos da previdência social.