Reconta Aí Atualiza Aí Professores da rede estadual têm índice de contaminação 192% maior do que a população de São Paulo

Professores da rede estadual têm índice de contaminação 192% maior do que a população de São Paulo

Estudo realizado pela UFABC, Unifesp, USP, UFSCar e IFSP mostra que a incidência de Covid-19 entre professores da rede estadual de São Paulo é 192% maior do que na população adulta do estado.

De acordo com estudo realizado pela Rede Escola Pública e Universidade (REPU), a incidência de Covid-19 em professores da rede pública estadual de São Paulo foi 2,92 vezes maior do que a população adulta do estado. Esse número representa uma diferença de 192% de contaminação entre os educadores em relação aos adultos em geral.

A pesquisa foi realizada entre 7 de fevereiro e 6 de março de 2021 e analisou 299 escolas estaduais em São Paulo. Nessas unidades – localizadas nas cidades de Arujá, Caieiras, Cajamar, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Guarulhos, Hortolândia, Mairiporã, Osasco, Poá, Santa Isabel, Santo André, São Paulo e Sumaré – foram contabilizados 12.547 professores e 3.947 servidores não docentes.

Segundo Fernando Cássio, professor de Políticas Educacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) e um dos autores do estudo, existe uma narrativa oficial do governo do estado de São Paulo de que a escolas são seguras. “É preciso saber para quem a volta às aulas é segura. Professores, funcionários, estudantes?”, questiona

O monitoramento de casos de Covid-19 na rede estadual de São Paulo mostra que para os docentes, a volta às aulas presenciais pode significar a morte.

Pesquisa encontra dados de contaminação de professores diferentes dos apresentados pelo governo do Estado

Professores da rede estadual tem índice de contaminação 192% maior do que população

O Boletim da Secretaria de Educação do estado de São Paulo – em azul no gráfico – mostra uma realidade bem diferente da apresentada pelo estudo da REPU. Conforme aponta a pesquisa, a distância entre os resultados se dá por questões de “graves falhas metodológicas na obtenção dos coeficientes de incidência [de covid-19] no Boletim”.

Entre as falhas apontadas há desde a não observância dos estudantes que frequentaram as escolas no período – número muito menor do que o de matriculados, até a falta de diferenciação entre alunos e servidores. Cada uma dessas falhas colabora para a diluição dos casos, mostrando um resultado melhor do que a realidade.

Além disso, a restrição de acesso a dados públicos mereceu um capítulo inteiro no estudo. Segundo os cientistas, mesmo com a utilização da Lei de Acesso à Informação, as respostas do estado vieram “evasivas, incompletas e com uma demora incomum”.

O professor Fernando Cássio ainda reafirmou que a volta às aulas presenciais tem um forte impacto não só na comunidade escolar, mas na sociedade como um todo. Baseado no Censo Escolar de 2020, Cássio afimou que somente no estado de São Paulo há 11 milhões de pessoas na comunidade escolar, dentre os 44 milhões de habitantes. Manter o ensino remoto é uma opção sanitária que tem um forte impacto na circulação das pessoas e do vírus, aponta.

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