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Erika Kokay: ‘Governo insiste na lógica da privatização porque não tem projeto para o desenvolvimento nacional’

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À luz dos acontecimentos no Amapá, é preciso analisar se empresas privadas, e a privatização, atendem às necessidades da população brasileira.

Desde a campanha ao governo, o presidente Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, falam de privatização. Contudo, o modelo não foi explicado à população, já que enquanto candidato, Bolsonaro não foi aos debates promovidos pelos veículos de comunicação.

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Entretanto, a palavra privatização ficou no imaginário popular como resolução para os problemas das empresas estatais. Afinal, parece óbvio que com a concorrência, haveria uma disputa saudável entre empresas e queda dos preços. Mas isso não se verifica na realidade.

Número de empresas privadas que prestam serviços públicos decresce no mundo

Diversos países hoje estão remunicipalizando serviços públicos – como a distribuição de água e eletricidade.

De acordo com Márcio Monzane, secretário regional da UNI Américas, enfrentamos hoje uma narrativa de que o desenvolvimento da economia tem que ser feito pela iniciativa privada. Entretanto, ressalta: “Empresas públicas participam do desenvolvimento de muitos países, principalmente na construção da infraestrutura e da logística”.

Monzane ainda vai além, relembrando que as empresas privadas foram responsáveis pela crise do subprime, em 2008. Já os estados salvaram a economia dos países mais afetados. No mesmo sentido, Monzane deixa no ar a questão de que somente os monopólios públicos são atacados; já as empresas digitais privadas como Amazon, Google e Facebook dominam o mundo. “Não é uma decisão econômica, mas uma decisão política”, afirma.

O sistema financeiro e a privatização

Jair Ferreira, ex-presidente e atual diretor da Fenae, afirma que o Estado é fundamental na vida da sociedade. “E os discursos de Estado mínimo vão para o bolso de alguns poucos”, disse.

Ele colabora com Monzano ao afirmar que sem crédito, não há desenvolvimento. E no Brasil, grande parte do crédito para as grandes obras de infraestrutura e logística são realizados pelos Bancos Públicos.

Neoliberalismo, o pai da privatização

De acordo com Luis Alberto, Doutor em Políticas Públicas, há uma necessidade de uma reflexão aprofundada que questione esse modelo neoliberal e o que ele traz em questão de retrocessos. “Estamos nos debatendo mais uma vez com a retomada do processo privatista por Paulo Guedes”, disse.

“Ele parou no tempo e olha para o mundo com um olhar pinochetista, que é muito privatista e hoje está em colapso no Chile”, ressalta sobre o ministro da Economia.

Massacres político e midiáticos geram um fundametalismo econômico

“O governo insiste na lógica da privatização porque não tem projeto para o desenvolvimento nacional”, relata a deputada federal Erika Kokay. “Portanto, não precisa desses insumos tão valiosos que as empresas públicas produzem e disponibilizam”, complementa.

A busca por uma inteligência autônoma do mercado a tal mão invisível, não permite planos concretos. Porntanto, é necessário analisar e fazer um balanço sobre as PPPs, defende Kokay.

Sérgio Mendonça corrobora a tese: “Só quem não conhece a história do capitalismo não sabe a importância do estado no sistema econômico”. Analisando as tendências atuais, Mendonça explica que o mundo inteiro está voltando a atenção ao estado. Ao mesmo tempo em que os grandes estados estão protegendo as suas empresas. E ainda exemplifica, “O país que mais cresceu no mundo nos últimos 40 anos é a China”.

Entretanto, no Brasil, nem tudo está perdido. Segundo Mendonça, “Apesar dos ataques que estamos recebendo desde 2016, ainda temos uma estrutura de estado muito importante”. E pela qual vale a pena lutar.