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Privatização: Petrobras já perdeu 64 ativos e participações acionárias

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petrobras - Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Petrobras já perdeu 64 ativos e participações acionárias desde março de 2015, quando teve início o plano de desinvestimento da estatal, alcançando R$ 243,7 bilhões.

Mais da metade das privatizações ocorreu durante os três primeiros anos do governo Bolsonaro, com a marca de R$ 138,2 bilhões, o equivalente a 56,7% do valor total vendido. Somente em 2019 - primeiro ano de mandato do atual presidente - o valor de vendas foi responsável por 30,6% do acumulado.

O levantamento foi realizado pelo Observatório Social da Petrobras (OSP), que analisou os relatórios trimestrais da estatal, assim como os comunicados ao mercado de março de 2015 a dezembro de 2021. Os números foram atualizados, seguindo a variação da taxa de câmbio para a conversão da moeda e a inflação do período.

Os dados mostram que o governo Dilma Rousseff (PT) foi o que menos vendeu partes da Petrobras: 11% do total, o equivalente a R$ 26,9 bilhões. Já Michel Temer (MDB) vendeu R$ 78,5 bilhões entre ativos e ações da empresa, ou 32,2% do total. Bolsonaro (PL) vendeu R$ 138,2 bilhões ou o 56,7% do total.

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2021 é um marco histórico na privatização da Petrobras

Segundo os especialistas do Observatório Social da Petrobras, 2021 será lembrado como um marco histórico no fatiamento da Petrobras. Pela primeira vez, uma refinaria da estatal foi vendida: a Rlam (Refinaria Landulpho Alves), na Bahia. Depois dela, foram vendidas a Refinaria Isaac Sabbá (Reman), em Manaus (AM), e a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul (PR).

"O levantamento do OSP demonstra que o processo de privatização da Petrobras se aprofundou no governo Bolsonaro e em meio à grande crise ocasionada pelo aumento dos combustíveis este ano, fruto de uma política errada, construída pela direção da estatal com cunho privatista, que manteve, com o Preço de Paridade de Importação (PPI), os valores deslocados totalmente da realidade dos brasileiros", disse Tiago Silveira, economista do OSP e do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps).

Em relação ao impacto do direcionamento da Petrobras no preço dos combustíveis no Brasil, Silveira se foi crítico: "Campos de petróleo, refinarias e empresas de infraestrutura de distribuição construídas historicamente com investimentos públicos estão sendo vendidos para multinacionais estrangeiras, quando deveríamos estar buscando maior autonomia energética nacional, ouvindo a população brasileira - sócia majoritária da estatal - sobre a necessidade de termos um preço mais justo dos combustíveis, e não o preço definido pelo mercado internacional”.