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Por que o aumento de novos postos de trabalho não reflete na queda do desemprego?

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Desemprego

O ano de 2021 tem trazido sucessivos aumentos das contratações de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Somente em maio, foram criadas 280.666 novas vagas de trabalho formal no País. Por outro lado, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C) aponta que o Brasil atingiu a marca de14,8 milhões de desempregados no trimestre encerrado em abril.

Patrícia Pelatieri, diretora técnica adjunta do Dieese, ressalta que tal discrepância ocorre porque as pesquisas não são comparáveis: "A Pnad é uma pesquisa amostral e domiciliar; já o Caged, um registro administrativo".

No mesmo sentido, Flávia Vinhaes Santos, presidenta do Conselho Regional de Economia -RJ (Corecon-RJ), explica que a Pnad-C registra o aumento na busca por emprego. Em outras palavras, pessoas que não estavam buscando emprego em razão da pandemia, voltaram a procurar. Logo, essa população pressiona o mercado de trabalho.

"Realmente, há uma divergência a partir de 2020 entre as pesquisas, com o Caged mostrando saldos positivos; enquanto a Pnad-C, saldos negativos de apresentação de vagas. Vale dizer 'ocupações formais' no mercado de trabalho", ressalta Flávia Vinhaes Santos.

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O tamanho da discrepância

Com base no Caged, a presidenta do Corecon destaca que 696 mil vagas foram criadas no último trimestre (fevereiro a abril), enquanto a Pnad-C registrou um saldo negativo de 122 mil vagas. "As pesquisas caminham em direções distintas", disse.

As possíveis causas da divergência em relação ao número de vagas ocupadas

A transição do modelo do Caged em plena pandemia pode ter sido um dos fatores que ocasionou essa discrepância. Pelatieri, por exemplo, destaca que houve uma mudança metodológica no Caged a partir de 2020. "Toda mudança metodológica leva tempo para as empresas se adaptarem. É possível que no futuro, ajustes da base sejam realizados", considera a diretora do Dieese.

Vinhaes Santos corrobora o argumento, afirmando que pode ter havido falta de baixa nos registros dos trabalhadores no Caged. "Isso pode ter levado a um fictício saldo positivo", explica.

Outro fator apontado pela presidenta do Corecon-RJ também estaria relacionado à pandemia. Com a impossibilidade dos pesquisadores da Pnad-C irem até os domicílios, as pesquisas foram feitas por telefone. É possível que os respondentes não tenham passado as informações, o que poderia ter impactado nos resultados.

Ainda assim, Pelatieri pondera que também por conta da pandemia, novas contratações foram realizadas no período: por causa de uma mudança estrutural na forma de trabalho, setores específicos como saúde, tecnologia da informação e comunicação tiveram uma contratação maior no período.

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