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População mais pobre viu a renda cair 8,2% na pandemia

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A renda individual média entre informais, desempregados e inativos está neste momento 9,4% menor, tendo-se com ponto de referência o final de 2019. Dentre a metade mais pobre da população, 21,5% foram afetados pela diminuição de renda em 2021, com uma queda média de 8,2%.

Dos 21,5% afetados, pouco mais de metade (11,5%) ocorreu por conta do desemprego.

Os dados são da pesquisa Desigualdade de Impactos Trabalhistas na Pandemia, coordenada pelo diretor da Fundação Getúlio Vargas Social (FGV Social), Marcelo Neri.

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De acordo com o levantamento, em 2019 pouco mais de um décimo da população (10,97%) estava abaixo da linha da pobreza. No primeiro trimestre de 2021, período em que o auxílio emergencial já havia se encerrado, o percentual subiu para 16,1%.

Segundo a pesquisa, "os dados mostram um cenário desolador no início de 2021, quando em seis meses o número de pobres é multiplicado por 3,5 vezes, correspondendo a 25 milhões de novos pobres em relação aos seis meses anteriores”.

Desigualdade

Os 10% mais ricos tiveram uma queda média de 7,16% em sua renda. Isso significa menos de um terço da queda verificada na metade mais pobre (8,2%). No equivalente estatístico do que se considera classe média, a diminuição de renda foi 8,96%, cerca de 2,8 pontos percentuais de perda acima do extremo superior.

A média geral de redução de renda foi de 4,7%.

“Nesse forte aumento de desigualdade o principal elemento é a ocupação, em particular o aumento do desemprego é o que explica metade dessa queda de renda dos pobres. Além disso, muita gente saiu do mercado de trabalho porque não pôde exercer uma ocupação ainda por causa da pandemia”, afirmou Neri, em entrevista à Agência Brasil.

Essa dinâmica impactou o índice de Gini, que mede a desigualdade no País. O indicador já havia aumentado de 0,6003 para 0,6279 entre os quartos trimestres de 2014 e 2019, saltou na pandemia atingindo 0,640 no segundo trimestre de 2021, ficando acima de toda série histórica pré-pandemia.