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Política ambiental ameaça a Resex Chico Mendes

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Imagem do site Recontaai.com.br

Ricardo Salles suspende a fiscalização da Resex Chico Mendes, em Xapuri, e coloca em risco conquistas de extrativistas, ambientalistas e de todos os brasileiros.

Chico Mendes, Pedro Ramos e tantos outros homens e mulheres extrativistas tiveram um papel fundamental na concepção e implementação das reservas ambientais no Brasil. O ineditismo ficou por conta da mudança de paradigma que Chico Mendes propôs para a conservação do Meio Ambiente.

Se antes do sindicalista acreano a forma de preservar a natureza era cercar a floresta e manter os humanos afastados, depois, a manutenção do modo de vida dos povos tradicionais ganhou espaço.

Pedro Ramos, extrativista, lutador social e amigo pessoal de Chico Mendes, conta que as reservas só foram tiradas do papel e concretizadas após o assassinato do amigo, que ficou mundialmente conhecido.

Atualmente, é possível observar na prática que a as áreas menos degradadas da Amazônia são exatamente as que possuem extrativistas, indígenas e outros povos tradicionais. A preservação decorre principalmente do uso econômico racional dos recursos florestais.

Descaso na preservação da Resex Chico Mendes

A Folha de São Paulo noticiou, recentemente, que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, recebeu cinco infratores ambientais no dia 6 de novembro. Na pauta, a discussão do futuro da Reserva de Xapuri, oficialmente Resex Chico Mendes.

Como resultado da reunião com o ministro, os infratores obtiveram uma vitória contra o Brasil, a suspensão da fiscalização da área. Esse fato se deu mesmo com o alerta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que apontou uma perda de cobertura florestal em 74,5 km² da área.

Ao mesmo tempo em que Ricardo Salles se reunia com infratores ambientais, cujas infrações incluem até crimes como ameaça de morte contra servidores, acontecia o IV Congresso Nacional do Conselho Nacional de Seringueiros. Ambos os eventos deram-se na mesma cidade, Brasília. Mas somente em um deles, a preservação da floresta estava em pauta.

Vale lembrar que durante a reestruturação ministerial feita pelo presidente Jair Bolsonaro, no início do seu governo, ocorreu a extinção da Secretaria de Extrativismo, Desenvolvimento Rural e Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente.

Pedro Ramos falou sobre a importância da manutenção das reservas extrativistas não só por questões ambientais, mas também humanitárias. Curiosamente nem ele, nem os demais extrativistas foram recebidos pelo governo.