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Podcast #EP32 -"Educação à distância não oferta a mesma qualidade e acentua as desigualdades", diz Daniel Cara

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Imagem do site Recontaai.com.br

Nessa edição do podcast, ouvimos Daniel Cara falando sobre escolas e educação em tempos de pandemia.

Como as escolas serão afetadas em meio à pandemia?

Em uma discussão sobre escolas durante a pandemia de coronavírus, Daniel Cara, professor de Fundamentos Econômicos da Educação da USP, alertou sobre a impossibilidade de assumir que a educação à distância possa suprir as aulas presenciais.

Segundo Cara, além dos aspectos pedagógicos, deve ser levado em conta também os aspectos econômicos e sociais. Como exemplo, o professor universitário enfatiza: “Não é possível abdicar da alimentação escolar“.

Além do aspecto nutricional, Cara também defende que o ensino à distância não substitui as escolas. Ao contrário, ele traz a informação de que no Brasil, até a lição de casa já é um fator importante de desigualdade no aprendizado.

“Casas maiores, com mais cômodos, facilitam a realização da lição”, diz Cara. No mesmo sentido, exemplifica: “Imagine também a educação à distância sendo utilizada por uma população que quase não tem acesso à [internet] banda larga de qualidade“.

Por outro lado, Daniel Cara ressalta que é bom que escolas, sobretudo professores e estudantes, mantenham contato e sigam estudando juntos. Porém, sem a realização de avaliações de desempenho para não acentuar a desigualdade.

Escolas e casas em momentos delicados

Apesar da educação à distância ser uma alternativa de aprendizado e aproximação, não é uma alternativa de manutenção do ano letivo. Segundo Cara, “o mundo não voltará a ser o que era antes”. Logo, a educação também precisará ser repensada.

Nesse momento, é importante discutir com a comunidade escolar sobre o impacto da quarentena no ano letivo. Estudantes, pais, professores e funcionários precisam ser esclarecidos quanto à isso.

Outro assunto abordado foi o aumento da violência doméstica e do abuso de todos os tipos, inclusive sexual, contra crianças e adolescentes nessa fase. Segundo o professor universitário, as condições materias influem na qualidade do confinamento, porém, mesmo nas famílias abastadas há um aumento nos conflitos.

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