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PNAD: Rendimento real habitual do trabalhador é o menor desde 2012

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Desemprego

O rendimento habitual dos brasileiros no trimestre encerrado em maio de 2022 foi apurado em R$ 2.613, uma queda de 7,2% em relação ao mesmo trimestre de 2021. O economista e diretor do Reconta Aí, Sérgio Mendonça, alerta que esse é o menor rendimento real habitual da série histórica da PNAD Continua, desde 2012.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) Continua do trimestre março/abril/maio de 2022 foi divulgada nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, explica que essa queda do rendimento anual é puxada, inclusive, por segmentos da ocupação formais, como o setor público e o empregador. "Até mesmo dentre os trabalhadores formalizados há um processo de retração”, observa.

Segundo a pesquisadora, isso pode ser efeito da própria inflação, mas também da estrutura de rendimento atual dos trabalhadores, com um peso maior de trabalhadores com rendimentos menores.

Fonte: IBGE

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Desemprego

A taxa de desocupação ficou em 9,8% no trimestre encerrado em maio. Em relação ao trimestre anterior, de dezembro de 2021 a fevereiro de 2022, a taxa caiu 1,4 ponto percentual (p.p.), e, na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, a queda foi de 4,9 p.p.

São 97,5 milhões de brasileiros ocupados, uma alta de 2,4% na comparação com o trimestre anterior e de 10,6% na comparação anual. De acordo com a Pnad, isso equivale a um aumento de 2,3 milhão de pessoas no trimestre e de 9,4 milhões de ocupados no ano.

Já a população desocupada, estimada em 10,6 milhões de pessoas, recuou 11,5% frente ao trimestre anterior, o que representa 1,4 milhão de pessoas a menos. No ano, a queda foi de 30,2%, menos 4,6 milhões de pessoas desocupadas.

Mendonça explica que a partir de abril/maio, em anos típicos, a taxa de desemprego tende a cair. "Os dados dessa divulgação mostram um mercado de trabalho se recuperando", ressalta. No entanto, o economista ressalta que ainda existem cerca de 2 milhões de empregos formais a menos em relação ao melhor momento do País, em 2014.

Diante deste cenário, o diretor do Reconta Aí conta que não dá para afirmar com segurança como será a trajetória do mercado de trabalho no segundo semestre de 2022.

"Se for a trajetória de um ano normal, típico, os indicadores seguirão melhorando. Se a inflação, o endividamento das pessoas e das famílias, e os juros altos segurarem o crescimento da economia, poderemos ter um mercado de trabalho andando de lado. Ainda é cedo para afirmar o que acontecerá", diz Mendonça.

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Carteira assinada X informalidade

De acordo com a pesquisa, o número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado foi de 35,6 milhões no trimestre encerrado em maio. Ela subiu 2,8% em relação ao trimestre anterior e 12,1% na comparação anual.

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado foi o maior da série histórica, chegando a 12,8 milhões de pessoas. Este contingente cresceu 4,3% em relação ao trimestre anterior e 23,6% no ano. Já o número de trabalhadores por conta própria se manteve estável em 25,7 milhões de pessoas em relação ao trimestre anterior, mas subiu 6,4% no ano.

Por outro lado, a informalidade se mantém muito alta. No trimestre, 40,1% da população ocupada em empregos informais. O que representa 39,1 milhões de trabalhadores.

A coordenadora da pesquisa ressalta que o crescimento da população ocupada foi bastante disseminado por todas as atividades. “Na comparação trimestral, apenas os grupamentos da agricultura e dos serviços domésticos não tiveram crescimento, ficaram na estabilidade. E na comparação, somente a agricultura não cresceu, ficando estável também”, completa.