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PNAD: Peso da renda proveniente do trabalho cai em 2020

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IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (19) os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua para o ano de 2020. O levantamento aponta que o peso do rendimento proveniente do trabalho perdeu força na renda das famílias. Por outro lado, a PNAD mostra que a proporção de domicílios com pessoas que recebiam programas sociais cresceu de 0,7%, em 2019, para 23,7% em 2020.

Entre 2019 e 2020, o número de brasileiras e brasileiros que obtinham alguma renda do trabalho caiu de 92,8 milhões para 84,7 milhões de pessoas - equivalente, respectivamente, de 44,3% para 40,1% da população brasileira.

Pensando no rendimento médio dos domicílios, no mesmo período o peso representado pelo trabalho na composição da renda familiar caiu de 74,4% para 72,8%.

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Um dos fatos relacionados a este contexto foi o aumento da participação dos outros rendimentos na composição do rendimento domiciliar per capita no Brasil, que passou de 3,4% para 7,2%. O IBGE explica que na PNAD compõem o grupo "outros rendimentos" fontes como seguro-desemprego/seguro-defeso, programas sociais do governo – inclusive o Auxílio Emergencial–, rendimentos de poupança etc.

Em 2019, o número de pessoas que obtiveram renda, ainda que não exclusivamente, a partir deste grupo quase dobrou: de 16,4 milhões (7,8% da população) a 30,2 milhões (14,3% da população). Por sua vez, o "rendimento de outras fontes" - composto, por exemplo, por aposentadorias e pensões, caiu 15,4%, atingindo seu menor valor (R$1.295) desde 2012.

"O mercado de trabalho sofreu bastante com a pandemia. Por causa do distanciamento social, alguns setores que dependiam de movimentação de pessoas, como o setor de serviços, foram ainda mais afetados. O trabalho em si perdeu espaço. Isso explica a perda da participação do rendimento de todos os trabalhos, que cai de 74,4%, em 2019, para 72,8%, em 2020”, ressalta a analista da pesquisa Alessandra Scalioni.

“Por outro lado, há o pagamento do Auxílio Emergencial, o que fez com que os outros rendimentos ganhassem participação na composição do rendimento domiciliar per capita. Mas o rendimento do trabalho continua sendo a principal fonte de renda dos domicílios”, complementa.

Entre aqueles que mantiveram renda do trabalho, o rendimento médio vindo desta fonte aumentou. O rendimento médio mensal real habitualmente recebido de todos os trabalhos foi de R$ 2.447 em 2020; 3,4% maior que o registrado em 2019 (R$ 2.366). Esse aumento se deu por conta da saída de 8,1 milhões de pessoas da população ocupada durante o período 2019-2020, indicando que aqueles que continuaram ocupados tinham maior rendimento do trabalho.

No geral, entre 2019 e 2020, o rendimento médio real de todas as fontes, incluindo trabalho e outras fontes, caiu 3,4%, passando de R$2.292 para R$2.213.