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PNAD: Informalidade representa mais da metade das ocupações geradas no terceiro trimestre

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trabalho informal

Foto: Helena Pontes/IBGE

A informalidade foi responsável por mais da metade do aumento da ocupação entre o segundo e o terceiro trimestres de 2021. A renda média dos trabalhadores, por outro lado, recuou pelo quarto trimestre seguido. Os dados são da PNAD Contínua, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IBGE vinha realizando pesquisas por telefone. Os resultados da PNAD Contínua divulgados nesta terça-feira (30) são os primeiros após o Instituto retornar ao método de coleta de dados anterior à eclosão da pandemia do novo coronavírus. Isso coloca a necessidade de ponderações em relação à comparação com dados anteriores.

"Sempre fica a pergunta: as informações e os indicadores são plenamente comparáveis, em termos do rigor estatístico, com aqueles do período da pandemia? Provavelmente não. Mas isso é normal nesse tipo de pesquisa. Especialmente em um momento tão difícil como esse da pandemia", diz Sérgio Mendonça, economista e diretor do Reconta Aí. "Os métodos estatísticos permitem corrigir esses vieses com o mínimo de erro. A equipe do IBGE é plenamente confiável", complementa.

A taxa de desocupação recuou para 12,6% no terceiro trimestre deste ano, uma redução de 1,6 ponto percentual frente ao segundo trimestre - a taxa anterior era de 14,2%. Com isso, o número de pessoas buscando emprego caiu para 13,5 milhões (-9,3%). Já o número de ocupados chegou a 93,0 milhões, com crescimento de 4,0%. O percentual de pessoas em idade de trabalhar que estão ocupadas, assim, chegou a 54,1%.

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O crescimento da ocupação, entretanto, foi puxado pela informalidade, que representa mais da metade (54%) do crescimento. Houve crescimento, por exemplo, de 10,2% no número de empregados no setor privado sem carteira assinada. A quantidade de trabalhadores domésticos chegou a 5,4 milhões, aumento de 9,2%, o maior desde 2012, quando se iniciou a série histórica da pesquisa.

No terceiro trimestre deste ano, a renda média seguiu recuando. Em comparação com os três meses anteriores, houve queda de 4%. A renda do trabalhador ficou no patamar de R$ 2.459. Segundo Mendonça, há duas causas para tanto, uma delas relacionada à informalidade.

"A elevação da inflação, que derruba o poder aquisitivo de todos os ocupados. E a entrada de pessoas com rendimentos e salários menores em um mercado de trabalho desfavorável. Aceitando receber menos para se ocupar", explica.

O Nordeste continua registrando a maior taxa de desocupação do país (16,4%). A menor está na região Sul, com 7,5%. Entre as duas, estão Sudeste (13,1%), Norte (12%) e Centro-Oeste (9,8%).

Há também disparidades raciais. A taxa de desocupação das pessoas brancas (10,3%) ficou abaixo da média nacional, enquanto a dos pretos (15,8%) e dos pardos (14,2%) ficou acima.