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Pibinho de 1,1%: “Governo é para resolver problema”, reage Nelson Barbosa a desculpas da equipe econômica

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Imagem do site Recontaai.com.br

O economista Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda (2015-2016), reagiu aos argumentos apresentados pela atual equipe da pasta da Economia para o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) durante o primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro, marcado por uma desaceleração em relação aos anos Michel Temer.

Após os resultados divulgados, a Secretaria de Política Econômica (SPE) justificou o baixo dinamismo da economia por conta da “má alocação de recursos”, afastando as críticas de que o programa radical de austeridade – com cortes e redução de investimentos – seria uma das razões para a estagnação do País.

A posição da equipe econômica do Planalto se deu em meio a uma polêmica que envolveu até mesmo Rodrigo Maia, presidente da Câmara, tradicionalmente defensor da agenda liberal e que surpreendeu ao afirmar que o governo não deveria esperar que o mercado resolveria sozinho os problemas do País.

“Agora que a austeridade expansionista deu ruim, pois o juro caiu mas o PIB não veio como esperado, partiram para hipótese alternativa de má alocação (misallocation) de recursos. Tudo para não reconhecer que o problema também pode ser de demanda!”, criticou Barbosa após a SPE emitir Nota Técnica.

O ex-ministro faz referência à opção da atual gestão em privilegiar o corte de custos no lado da oferta – por exemplo, diminuindo os custos para o empregador – em detrimento da demanda, ou seja, da ampliação da capacidade de consumo da população.

“Gente, governo élugar para resolver problema, não para testar tese acadêmica.Culpar misallocation pelo lento crescimento da economia já pegariamal na academia. No governo é pior ainda”, complementou.

Barbosa ressaltou ainda que é possível melhorar a alocação de recursos, mas tal medida não excluiria outras ações. “Pode haver misallocation em alguns setores, mas política econômica não é prova de múltipla escolha, onde só tem uma resposta certa. É possível melhorar a alocação de recursos e aumentar o investimento e consumo públicos porque a economia está abaixo do potencial”, apontou.

Tomando emprestado imagem do @_thalesnogueira, os guerreiros da SPE não desistem! Agora que a austeridade expansionista deu ruim, pois o juro caiu mas o PIB não veio como esperado, partiram para hipótese alternativa de má alocação (misallocation) de recursos. Tudo para não … pic.twitter.com/rZpU8gaBQx

— Nelson Barbosa (@nelsonhbarbosa) March 4, 2020

Quanto a 2020, Barbosa afirmou que “sempre tem mais uma reforma a ser feita. Por isso política econômica não vive só disso. O crescimento de 2% terá mais chance se houver medidas concretas do governo para tanto. Reformas de longo prazo são necessárias, mas política econômica também inclui resposta a choques de curto prazo, como aumento de investimento público”.