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PIB Público x PIB Privado: “Não existe em nenhum lugar do mundo”, diz economista Sérgio Mendonça

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Imagem do site Recontaai.com.br

Ao final do dia em que integrantes da equipe econômica trocaram ataques por conta dos resultados do Produto Interno Bruto (PIB) 2019, a Secretaria de Comunicação do governo divulgou uma mensagem comemorando os dados do ano passado. O órgão afirmou que o PIB público havia caído 2,5%, ao passo que o privado teria se elevado 2,75%. A distinção foi posteriormente endossada pela Secretaria de Política Econômica.

PIB = Consumo + Investimento + Gastos do Governo + Saldo da Balança Comercial.

Alternativamente: PIB = soma dos salários, lucros, juros e alugueis.

Não existem os conceitos "PIB Privado" e "PIB Público" – mas vou tentar cunhar o conceito "Pedalada intelectual". É esse aqui: https://t.co/AEzTfUz4CN

— Gabriel Brasil (@GabrielCBrasil) March 4, 2020

A reação de economistas e analistas foi imediata e se estendeu ao longo da manhã desta sexta-feira (6). Ao Reconta Aí, o economista Sérgio Mendonça explicou que o método de cálculo do PIB é definido e compartilhado internacionalmente, até mesmo para que se possam fazer comparações. Tal metodologia, segundo ele, não comporta distinções entre PIB público e privado.

“Essa metodologia não é adotada em nenhuma outro lugar do mundo. PIB é um indicador utilizado em todos os países, baseado no sistema de contas nacionais da Organização das Nações Unidas. Nosso órgão, o IBGE, participa dessa rede e é muito respeitado. Não existe PIB do governo ou PIB do setor privado. Existem os critérios utilizados por todos os países”, diz Mendonça.

Bateu uma curiosidade e eu pesquisei “private GDP”. Trata-se mesmo de uma inovação única no mundo.

— Laura Carvalho (@lauraabcarvalho) March 6, 2020

Para o economista, a razão para a divulgação da nova fórmula é tentar justificar os resultados frustrantes trazidos pela política econômica de Paulo Guedes. “Por uma questão, mais do que política, ideológica. O governo tenta justificar as medidas tomadas já desde o governo Temer – sobretudo o controle de gastos imposto pela Emenda Constitucional 95 -, as demais medidas de contenção, e que o governo Bolsonaro está dando continuidade”.

“O governo está dizendo que a austeridade vai nos levar à expansão. Ou seja, que conter o gasto público vai proporcionar aumento do investimento privado. Ele fica insistindo nessa tecla. E isso não está acontecendo, é quase uma falácia. O gasto público, na maioria das vezes, estimula o setor privado”, complementa ele.

Essarelação entre Estado e mercado privado é uma das razões para aimpossibilidade de adoção da divisão proposta pelo governo.Mendonça dá o exemplo dos benefícios pagos pelo INSS, que compõeo setor público, mas que, uma vez recebidos, são gastos, via deregra, no setor privado através do consumo.