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Petrobras teve lucro recorde "às custas do consumidor", avalia pesquisador

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Petrobras

O professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Eduardo Costa Pinto avaliou que o novo lucro líquido anunciado pela Petrobras - um recorde - não deve ser comemorado, já que o patamar alcançado pela estatal ocorreu "às custas do consumidor".

Para o economista, o lucro líquido recorde no primeiro trimestre de 2022 "em boa parte, pode ser explicado pelo aumento dos preços nas refinarias dos derivados, de 53% entre o primeiro trimestre de 2022 e o primeiro trimestre de 2022, com o Preço Paritário de Importação [PPI]", sustenta.

O PPI estabelece que a Petrobras deve cobrar pelos combustíveis derivados do petróleo, inclusive os produzidos em território nacional a partir de reservas brasileiras, o mesmo preço cobrado por importadores - mesmo que os custos de produzir no país sejam menores. Com o real desvalorizado em relação ao dólar, a diferença aumenta ainda mais.

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Isso se refletiu, de acordo com dados levantados pelo economista, na rentabilidade da Petrobras em comparação com outras empresas de petróleo.

Entre as petroleiras internacionais, apenas a Saudi Aranco apresentou lucro líquido maior que o da estatal brasileira. A margem líquida - ou seja, o lucro líquido divido pela receita líquida após desconto de tributos, um indicador da rentabilidade de uma empresa - da Petrobras foi "30 vezes maior do que a média das margens líquidas [do conjunto das petrolíferas no mundo]".

Isso resultou em que o volume de dividendos distribuídos pela Petrobras representasse "quatro vezes mais que a média". "Ganham os acionistas e perdem os consumidores", critica ele.

O professor da UFRJ ainda comentou a reação de Jair Bolsonaro (PL) ante a divulgação das informações da estatal. O presidente da República chegou a qualificar como "estupro" o lucro anunciado pela Petrobras, e pediu: "Se continuar tendo lucro dessa forma, aumentando o preço do combustível, vai quebrar o país...".

"E o Bolsonaro ainda fica dando show! É ele quem indica o presidente da empresa e a maior parte do Conselho de Administração. Essas instâncias de governança podem sim mudar estrategias da empresas, inclusive sua política de preços", rebate Eduardo Costa Pinto.