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Petrobras: subsídio do gás vai ajudar famílias de baixa renda, mas sem resolver problema de preço alto para todos

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gas de cozinha

A Petrobras anunciou ontem (29) que vai destinar R$ 300 milhões para um programa de subsídio ao gás de cozinha para famílias de baixa renda. O "programa social de apoio a famílias em situação de vulnerabilidade social", como foi chamado na carta divulgada à imprensa, terá 15 meses, com prazo final em dezembro de 2022 - quando acontecerão as eleições presidenciais no Brasil.

O anúncio coincide com o aumento de preço do botijão de gás de cozinha, que chegou a mais de R$ 100,00, e com as reclamações do presidente Jair Bolsonaro sobre o valor do insumo. Já o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, já havia feito suas considerações: “A pandemia e todas as suas consequências trouxeram mais dificuldades para as pessoas em situação de pobreza. Tal fato alerta a Petrobras para que reforce seu papel social, contribuindo ainda mais com a sociedade”.

Contudo, analistas do setor de petróleo e gás acreditam que a medida, apesar de positiva, não ataca de forma consistente o maior problema envolvendo a regulação do preço do gás no País.

Política de preços da Petrobras é a verdadeira vilã do preço do gás de cozinha

O economista e diretor do Reconta Aí, Sérgio Mendonça, considera uma iniciativa importante da Petrobras e do Governo Federal, que é o principal acionista da empresa. Contudo, pondera: "Talvez o melhor caminho fosse apresentar uma proposta mais ampla e transparente através do orçamento público expondo, de forma transparente, as informações para a população".

No mesmo sentido, Mendonça explica: "Como a situação do preço do botijão de gás está insustentável há bastante tempo para a população de baixa renda, o governo e a Petrobras resolveram agir por pressão da opinião pública. Mas é uma medida na direção certa de proteger quem mais precisa. E põe por terra os cânones liberais dessa gestão. A decisão caminha na direção correta e expõe a equipe econômica ultraliberal".

Cloviomar Caranine, economista e técnico do Dieese na Federação Única dos Petroleiros (FUP), explica que a medida adotada pela Petrobras vai resolver em parte o problema de acesso ao gás: "somente as famílias que forem beneficiadas com o programa", ressalta. Além disso, Caranine afirma que "não resolve o problema do preço, pois continuará acompanhando os preços internacionais de importação. Somente para aqueles beneficiados pelo programa terão uma redução do custo com o gás".

O que a Petrobras lucra com o subsídio do gás e quem lucra com a Petrobras?

"Para a empresa, [o subsídio ao gás de cozinha para famílias vulneráveis] contará como uma política social, como uma espécie de política de apoio aos pobres, minimizando os efeitos das escolhas adotada pela empresa em aumentar lucros e dividendos", aponta o técnico do Dieese.

"Para os acionistas e o mercado, mesmo com possibilidade de uma redução (muito pequena) do lucro, pode servir como um "programa de responsabilidade social", explica Caranine. "Uma forma de minimizar o péssimo resultado da política de preços de derivados adotada até aqui, penalizando os mais pobres e favorecendo os mais ricos", complementa.

Já para os brasileiros - explica Caranine - "novamente, terá efeito direto aos mais pobres que entrarão nos parâmetros para receber o benefício. Para o restante da população, é bom lembrar que nada mudou, a política de paridade de importação se mantém".