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Pesquisa aponta que desmatamento diminui empregos na Amazônia

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Um estudo feito por pesquisadores do projeto Amazônia 2030 traçou um diagnóstico do mercado de trabalho da Amazônia Legal entre 2012 e 2020. Com base em dados da PNAD Contínua, elaborada pelo IBGE, a pesquisa levou em conta os efeitos da pandemia do novo coronavírus.

O estudo "Dinamismo de Emprego e Renda na Amazônia Legal: Agropecuária", apresentada pela organização Amazônia 2030, revela que o desmatamento da floresta diminui empregos na Amazônia Legal. Ele é assinado pelos pesquisadores Flávia Alfenas, Francisco Cavalcanti e Gustavo Gonzaga, todos ligados à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

De acordo com o estudo, entre 2012 e 2019 houve uma queda de cerca de 16% do emprego em ocupações relacionadas à agropecuária (agricultura, pecuária, criação de animais e extrativismo florestal) na Amazônia Legal. Isso representa uma perda de 322 mil postos de trabalho durante o período. O ponto em que o emprego na agropecuária se cruza com o desmatamento ocorre em 2016 e mostra o aumento da devastação da floresta.

Quais empregos foram perdidos?

A análise leva em conta quatro grandes grupos de ocupação: agricultores não qualificados, agricultores
qualificados, pecuaristas e criadores de animais e extrativistas florestais. Com base na Pnad-C trimestral, os dados auferidos pelos pesquisadores mostram que o segmento que mais perdeu postos de trabalho foi o de agricultores não qualificados, cuja queda foi de aproximadamente 70% entre os anos de 2015 e 2019.

Outros dados

Os pesquisadores afirmam que no estudo também foi possível contabilizar que, embora a média salarial dos trabalhadores tenha crescido 29% entre 2012 e 2019, ao final do estudo (2019), ela ainda representava menos da metade do rendimento médio da região. Traduzido em números, o estudo mostra que os trabalhadores do campo e da floresta recebiam R$ 829 contra R$ 1.692 do rendimento médio da região.

Outro problema encontrado foi o nível de formalização desses trabalhadores e o acesso aos direitos trabalhistas. Em 2019, cerca de 85,1% dos trabalhadores eram informais, conta uma média de 59,4% nos índice de informalidade da região.

O estudo

Segundo os pesquisadores, o estudo "aprofunda a discussão sobre a vitalidade econômica da Amazônia Legal com base na identificação das ocupações e dos setores que mais têm contribuído para a geração de emprego e renda na região no período recente".

O trabalho foi realizado pelos pesquisadores pelo Projeto Amazônia 2030 - uma inciativa de pesquisadores brasileiros sobre o desenvolvimento sustentável na região - que persegue a meta de colaborar com o uso sustentável dos recursos naturais no ano de 2030.

O estudo completo pode ser consultado clicando aqui.