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Pedro Guimarães: o banqueiro bom de papo. Se gaba dos lucros, mas está desmontando a Caixa

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Pedro Guimarães

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, anunciou nesta quinta-feira (18) os resultados financeiros do Banco Público referente ao terceiro trimestre de 2021. O lucro líquido foi de R$ 3,2 bilhões, um aumento de 69,7% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado do ano (até setembro), o lucro alcançou R$ 14,1 bilhões, com alta de 87,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em meio ao marketing que enaltece sua gestão e as ações que vem promovendo, Pedro Guimarães não explicou claramente como a Caixa atingiu esse lucro exorbitante. Para ele, o que importa é nadar no dinheiro, independente dos meios utilizados para alcançar esses resultados.

O economista e diretor do Reconta Aí, Sérgio Mendonça, diz que não é razoável um Banco Público ter um retorno tão alto. No entanto, além da base de comparação ruim do ano de 2020, o lucro da Caixa é resultado de um conjunto de fatores.

Segundo Mendonça, parte desse crescimento vem das venda de parte das ações do Banco Pan e também da abertura de capital da Caixa Seguridade. A Caixa Participações, conhecida como Caixa Par, também afetou positivamente o resultado financeiro do Banco Público. "Esses eventos ajudaram a elevar o ROE Contábil de 14,2% - 12 meses encerrados em setembro/2020 - para 19,8% -12 meses encerrados em setembro/2021", acrescenta Mendonça.

Por outro lado, a melhora da economia, o aumento expressivo do crédito para pessoas físicas (+19,1%) e jurídicas (+29,1%) e a consequente melhora da margem financeira também contribuíram com o resultado positivo. A margem financeira alcançou R$ 12,2 bilhões no terceiro trimestre de 2021, acumulando um aumento de 27,8% se comparado ao mesmo período do ano passado. Mendonça diz que essa melhora deve ter ocorrido devido à elevação da taxa básica de juros - passando de 2%, em janeiro, para 6,25%, em setembro.

"Quando isso ocorre o banco ganha dinheiro na aplicação em títulos do governo e 'demora' para repassar esses ganhos ao cliente. Com isso, ele fatura mais com a diferença. Depois de um tempo maior (1 ano) e com a estabilização da Selic esse ganho do banco diminui", explica o diretor do Reconta Aí.

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Desinvestimento

O Tio Patinhas que habita dentro do Pedro Guimarães só visa lucro. Não importa se para ganhar dinheiro ele precise vender partes lucrativas do Banco Público e tirar investimentos de áreas importantes, enfraquecendo a instituição que é patrimônio do brasileiro.

Desde o início da sua gestão, em 2019, Guimarães contabiliza mais de R$ 5 bilhões em desinvestimento na Caixa Par. Foram alvos da tesoura do desinvestimento a Caixa Cartões, o Banco Pan, a Cibrasec, a Capgemini, a Branes e a Caixa Crescer. Durante a coletiva de anúncio do lucro trimestral do Banco Público, o presidente do Banco Público reforçou que até o final de 2021 a Caixa Par será fechada.

Na linha do tempo abaixo dá para visualizar como a atual gestão da Caixa vem priorizando o enfraquecimento do Banco Público vendendo todos os seus ativos. O Governo Federal prevê ainda a privatização de outros braços estratégicos e rentáveis da estatal. Além da Seguridade e do futuro Banco Digital, a direção da Caixa atua para a venda das áreas de Cartões, Gestão de Recursos, todas rentáveis para o Banco.

As Loterias Caixa, que também estão na mira da privatização, arrecadaram R$ 4,2 bilhões no trimestre. O valor é 4,1% maior que o apurado no mesmo período de 2020. Com um importante papel social, parte da arrecadação das loterias é transferida para investimento em programas sociais do Governo Federal. Do total arrecadado, R$ 1,8 bilhão será investido nas áreas de seguridade social, esporte, cultura, segurança pública, educação e saúde.