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Pedro Guimarães: Denúncias de assédio sexual detonam discurso de meritocracia do presidente da Caixa

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Pedro Guimarães

Desde que assumiu a presidência da Caixa, em janeiro de 2019, Pedro Guimarães vem usando o discurso de meritocracia para falar sobre os funcionários do Banco Público. Segundo ele, os cargos ocupados e as promoções que os empregados recebem ao longo da sua administração são todas por mérito dos próprios servidores.

No entanto, a casa caiu. Durante a sua gestão, Guimarães usa o seu poder e influência dentro do Banco Público para intimidar mulheres e conseguir o que quer com elas. Na hora de querer satisfazer os seus desejos, o seu discurso de meritocracia passa a ser uma simples moeda de troca.

De acordo com relatos de mulheres assediadas, Guimarães trabalha com a ideia de que quem aceita as suas investidas pode ganhar vantagens dentro do Banco Público. “Sempre tem perguntas do tipo: ‘Quero saber se você está comigo ou não, se eu posso contar com você’”, disse Cristina ao site Metrópoles. “É um conceito deturpado de meritocracia. Para ele, meritocracia é atendê-lo”, afirmou Valéria ao mesmo veículo.

Fonte: Globo News

Vale ressaltar que não podemos tirar o mérito de empregados e empregadas que conseguiram funções melhores dentro da Caixa pelo trabalho exemplar que desempenham. Entretanto, devemos destacar que enquanto Guimarães usava o seu discurso de meritocracia para promover a sua gestão, ele praticava o oposto do que falava.

Histórico de assédio

Não é de hoje que se escutam histórias de assédio sexual e assédio moral por parte de Guimarães. Nos corredores do prédio Matriz da Caixa muitos comentam sobre um ou outro caso. Mas a situação se tornou tão insustentável, que oito mulheres resolveram procurar o Ministério Público Federal (MPF) do Distrito Federal para denunciar o presidente da Caixa.

Inclusive, algumas delas procuraram a imprensa para serem ouvidas. Sem identificação, elas conversaram com o site Metrópoles e contaram os abusos praticados por Guimarães. Depois da denúncia do Metrópoles, algumas mulheres foram ouvidas pela Globo e outros veículos.

Mas porque elas procuraram o MPF e a imprensa? Por medo de denunciar dentro da Caixa e serem perseguidas. Na Caixa, as mulheres precisam denunciar os casos de assédio na Corregedoria do Banco Público. Não existe uma ouvidoria para esse tipo de denúncia. Assim, a Corregedoria é quem deve apurar os casos. No entanto, as denúncias acabam chegando ao gabinete de Guimarães.

“A gente tinha muito receio, porque a corda arrebenta sempre do lado mais fraco, porque em qualquer lugar em que vá essa denúncia ele pode ter um infiltrado. E isso afeta o resto do meu encarreiramento, no aspecto profissional. Então, era melhor esperar passar”, afirma ao Metrópoles uma das empregadas da Caixa.

No fim das contas, se a mulher recusa as investidas de Guimarães, ela sofre consequências dentro do Banco Público. Se ela toma coragem e denuncia, também sofre consequências.

Aliás, a gestão de Guimarães é marcada por perseguições de todo o tipo. Por exemplo: empregados não podem usar a cor vermelha na roupa para ir ao trabalho, pois passam a ser considerados petistas e começam a ser perseguidos.

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Assédio moral

Não são só as mulheres que sofrem com a administração de Guimarães. Ele sempre gostou de um assédio moral e de constranger empregados do Banco Público.

Inclusive, em dezembro de 2021, circularam pela internet alguns vídeos que mostravam empregados da Caixa imitando a desastrosa cena do presidente Bolsonaro fazendo flexões em uma de suas viagens. E, claro, Guimarães, fazendo a contagem dos movimentos.

A cena absurda se passou durante o evento “Nação Caixa 2021”, em Atibaia (SP). O encontro é direcionado a gestores da Caixa para apresentação de resultados e definição de metas. Em seu perfil oficial no Instagram, Guimarães disse que estavam presentes no evento os 350 principais executivos do Banco e 50 lotéricos e correspondentes.

Na época, o Ministério Público do Trabalho (MPT) notificou presidente da Caixa e recomendou que ele não deveria submeter os empregados do Banco Público a flexões de braço e "a outras situações de constrangimento no trabalho".