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Para onde vai São Paulo com Ricardo Nunes?

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Segundo Josué Medeiros, professor do Núcleo de Estudos da Democracia no Brasil, Ricardo Nunes tende a “jogar parado” na prefeitura.

Foto: Governo do Estado de São Paulo

Com a morte prematura de Bruno Covas, São Paulo hoje tem como prefeito Ricardo Nunes. Um vice que mal apareceu durante a campanha à prefeitura e que está sendo investigado pelo Ministério Público como participante da Máfia das Creches. Nunes conhece a cidade mais do que é conhecido por ela.

De acordo com o verador Alfredinho (PT/SP) - que estará na oposição ao novo prefeito, "Nunes é um articulador, um homem dos bastidores" - uma característica muito comum aos principais expoentes políticos do MDB, partido do prefeito.

Para além da sua atuação como verador conservador, Ricardo Nunes traz de volta o MDB à prefeitura de São Paulo, fato que implica a política nacional. Segundo Josué Medeiros, professor e pesquisador do Núcleo de Estudos da Democracia no Brasil, a prefeitura de São Paulo é uma grande conquista. "O partido está em crise, perdendo espaço no sul e sudeste. A derrota do Baleia Rossi para a presidência da Câmara ficou na conta do Rodrigo Maia mas pegou também para o MDB. Ter a prefeitura de SP por três anos e meio é um grande alívio nesse sentido", afirmou o acadêmico.

O que São Paulo pode esperar da gestão de Ricardo Nunes?

De acordo com Medeiros, a população de São Paulo não deve esperar grandes mudanças nesse primeiro momento. Conforme a análise do professor: "A política brasileira está paralisada pela pandemia, pelo modo como o bolsonarismo ataca as instituições e pelo ambiente eleitoral".

No mesmo sentido, Medeiros afirma que Nunes vai conviver com a comoção em torno do personagem Bruno Covas. "Um quadro que cresceu muito com a postura nas eleições do ano passado, com a luta contra o câncer", explicou.

"O novo prefeito vai fazer o que chamamos no futebol de jogar parado", aposta Medeiros, principalmente no que tange a disputa eleitoral do próximo ano, em que cidadãos escolherão - além do presidente - novos governadores. Portanto, a possibilidade de o prefeito focar na cidade e tentar ficar fora da disputa Doria e Skaf é possível. Ainda que a visão pessoal de Nunes aponte para uma guinada à direita junto à Skaf, o legado de Covas deve refrear esse movimento.

Discrição

Ainda assim, Nunes não deve ficar totalmente parado. Sua agenda conservadora, contra o direito de minorias como LGBQIA+ e mulheres, deve ganhar terreno com o novo prefeito. Sua orientação católica e conservadora foi uma marca dos seus oito anos de vereança.

Contudo, o desmonte do legado de Covas nos direitos da diversidade deve ser bastante discreto. "Acho que em um primeiro momento ele fará isso na surdina, sem se jogar na guerra ideológica bolsonarista", projeta Medeiros. Entratanto, o professor faz uma ressalva: "A depender do resultado das eleições de 2022, ele pensará como calibrar o discurso sobre essas questões".

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