Pular para o conteúdo principal

Ovos substituem carnes no prato do brasileiro

Imagem
Arquivo de Imagem
Imagem do site Recontaai.com.br

Com o aumento da exportação de carnes de boi, porco e galinha para o exterior, o preço do bife foi para as alturas e o brasileiro voltou a comer ovo.

O abate de suínos para a alimentação no Brasil é o maior desde 1997, mas o destino da bisteca não é a mesa do brasileiro. Ao contrário, o consumidor final fica do outro lado do mundo, não faz nem feijoada nem virado à paulista. O aumento foi do número de porcos abatidos: 6,2% em relação ao mesmo período de 2019, e de 1,8% se comparado ao primeiro trimestre desse ano.

A China abocanhará parte expressiva dessa gigante produção de carne de porco de acordo com a Estatística da Produção Pecuária do 2º trimestre de 2020 feita pelo IBGE. O motivo, segundo o supervisor das pesquisas da produção Pecuária, Bernardo Viscardi, é a peste suína africana que acometeu os rebanhos por lá.

Com uma população de mais de 1,4 bilhão de pessoas, e uma produção voltada para a indústria, a China tem fome. E com a ascenção econômica de grande parte dos chineses, eles podem comprar a carne por preços que se tornaram proibitivos aos brasileiros.

Outras carnes

O aumento da produção de carne suína contrasta com a queda na produção de bovinos e aves. Contudo, não há prejuízo para os setores, ao contrário do que sentem no bolso os consumidores no Brasil.

Apesar de ter caído no período analisado pela pesquisa, o segundo trimestre do ano, o setor dos bovinos segue muito bem. Principalmente pela alta das exportações. Foram abatidos 7,3 milhões de cabeças de bovinos, 8% a menos do que no mesmo trimestre de 2019, mas ainda assim, 0,3% mais do que a quantidade registrada no 1º trimestre de 2020. Outro aspecto importante é a valorização por cabeça de bovino, que pode ser traduzida no aumento do preço ao consumidor.

Já as aves tiveram o pior trimestre desde 2018. Ou talvez o melhor, já que seguem vivas. Houve um recuo de 1,0% na quantidade de abates em relação ao 2º tri de 2019. Na comparação com o trimestre anterior desse ano, a queda do número de abates foi de 6,8%. Em linhas gerais, isso significa menos frango no mercado, ou seja, menos oferta.

Ovo no café da manhã, no almoço e no jantar

A “mistura” mais acessível ao brasileiro é o ovo e a produção acompanhou esse aumento. Foram 974,15 milhões de dúzias produzidas no 2º trimestre de 2020. Um número 2,8% maior que o registrado no 2º trimestre de 2019 e 0,3% acima do trimestre composto por janeiro, fevereiro e março.

Por falta de opção, grande parte da população brasileira vai ter que adotar a dieta dos marombeiros, cujo maior expoente é Gracyanne Barbosa, que come cerca de 40 ovos por dia. Brincadeiras a parte, é bastante possível que com a diminuição do Auxílio Emergencial para R$ 300,00, o desemprego batendo na casa dos 13,6% e com apenas 83,3 milhões de ocupados no país, parte da população não conseguirá nem consumir a proteína mais barata do mercado quanto mais as carnes.