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ONU: Relatório sobre o clima prevê cenários irreversíveis

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bolsonaro mudança climática

Foi apresentado hoje (9) ao mundo o sexto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU). Os dados apurados por cientistas são assustadores, apesar de grande parte da humanidade já estar vivendo os efeitos da crise climática.

A especialista em Política Climática do Observatório do Clima Stela Herschmann explica que “A linguagem do relatório é muito forte e reflete o sólido consenso cientifico sobre o problema. O IPCC diz claramente que é inequívoca a interferência humana no clima. Não é mais um debate sobre se as ações humanas dão causa à crise climática, mas do quanto. E o quanto, estimado pela primeira vez, é estarrecedor: fomos responsáveis por 1,07ºC do total de 1,09ºC do aumento da temperatura desde a era pré-industrial”.

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Projeções da crise climática
Fonte: Observatório do Clima

Segundo o documento, é provavável que devido a emissão de poluentes, a humanidade tenha causado quase a totalidade do aquecimento global. No mesmo sentido, o relatório aponta que a reversão desse quadro será ainda difícil do que se esperava. Dos cinco cenários de emissão de poluentes avaliados, modelos baseados na forma como os países têm lidado com a questão, apenas um deles levará o mundo a cumprir o Acordo de Paris, que visa estabilizar o aquecimento global em "apenas" 1,5ºC.

Chefes de Estado e diplomatas se econcontrarão para debater a crise climática

A partir do dia 31 de outubro chefes de estado e Diplomatas se econtrarão em Glasgow , Escócia, para uma rodada de negociações internacionais sobre o tema. Conforme informa o Observatório do Clima, os representantes de toda a humanidade estarão com a "faca no pescoço". Será necessário que cada país aumente a meta de corte de gases de efeito estufa (NDCs) para 2030, para atingir o Acordo de Paris.

“Além do mais, apesar de dizer que a chance de 1,5ºC ainda existe, o documento também mostra que a janela para isso é estreita, e não comporta governos negacionistas”, afirma Herschmann. Já abrindo a discussão do que poderá ser feito no Brasil sob Bolsonaro, um dos governos negacionistas do mundo.

O papel do Brasil na crise climática

Já na berlinda, e processado, por ter reduzido a ambição da propria meta de emissão de poluentes o Brasil chegará ao evento ainda mais pressionado. Conforme o Observatório do Clima, o País "deve conquistar em Glasgow o status de ameaça climática global", combinando com o apelido internacional dado a Bolsonaro, “o negacionista mais perigoso do mundo”.

O fim da devastação da Amazônia foi apontado no relatório como essencial para a estabilização climática global. Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima afirma, "Para azar da humanidade, o presidente do Brasil é Jair Bolsonaro, que quer ver a floresta no chão. Para azar de Bolsonaro, os brasileiros e o resto do mundo não vão aceitar isso calados”.

Os riscos da mudança climática

Mais ondas de calor, chuvas e fortes secas estão previstas para o futuro do planeta Terra, ainda que as metas do Acordo de Paris sejam cumpridas. Contudo, nos quatro piores cenários apresentados no relatório, a frequência e a intensidade dos fenômenos serão ainda maiores. Esses fenômenos prejudicarão a agricultura e a pecuária, causando temor em relação ao aumento da fome no mundo.

O aquecimento da atmosfera, dos oceanos e da superfície terrestre também impacta nos mares. Entre 1901 e 2018, o nível do mar já subiu cerca de 20 cm. Com a continuidade dos efeitos da mudança climática, o aumento do volume do nível do mar pode inviabilizar a vida nas cidades litorâneas.

Outro fenômeno que promete piorar a vida da humanidade são os ciclones e furacões. Ainda poderemos presenciar a ocorrência de fenômenos extremos combinados, como secas e ondas de calor. Situações sobre as quais a humanidade jamais registrou notícias, e que possivelmente, não conseguirá registrar.