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O que pensa um metalúrgico sobre a política industrial do Brasil?

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Aroaldo Oliveira da Silva, metalúrgico e presidente da IndustriALL Brasil, analisa a política industrial do mundo e aponta que o Brasil está na contramão.

Com a fala assertiva, Aroaldo Oliveira da Silva foi solícito quando procurado pelo Reconta Aí para repercutir uma matéria sobre o descompasso da política industrial brasileira com relação ao mundo. O presidente da IndustriaALL Brasil mostrou o protagonismo da classe trabalhadora ao explicar as mudanças geopolíticas que as indústrias causam no mundo.

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"Estamos passando por uma revolução tecnológica e industrial. Então temos grandes transformações no mundo do trabalho e na sociedade", ressaltou.

No mesmo sentido, afirma que a pandemia acelerou essas revoluções por meio do desenvolvimento rápido de novas tecnologias e da reorganização das cadeias globais de valor. Silva atribiu esses saltos à indústria 4.0 - ou manufatura avançada - e no grande aumento de produtividade obtido. "[As empresas] Já não precisavam de diversas partes das cadeias produtivas ao redor do mundo", afirmou.

A diferença entre política industrial hoje e a do pós-guerra

"Diferente do que ocorreu na II Guerra, quando a Europa precisou dos países para complementar suas cadeias produtivas, agora, com as novas tecnologias, isso não é mais necessário", afirmou Silva.

Durante a pandemia, houve uma reorganização natural da produção, principalmente dos países centrais. Isso ocorreu tanto na parte da produção física, quanto da produção da tecnologia. Isso iria ocorrer; porém, na opinião de Silva, a pandemia foi uma catalizadora desse processo.

Por causa dela, houve a aceleração do desenvolvimento de tecnologias e também um aumento na discussão sobre a dependência externa. "Durante a pandemia, diversos países ficaram reféns de outros países, principalmente do sudeste asiático e da China", relembra o presidente da IndustriALL.

O futuro da política Industrial

Os países centrais do capitalismo estão reorganizando sua produção. Na Europa isso ainda está acontecendo, mas os Estados Unidos estão em estágio avançado. Prova disso foi a aprovação da Lei de Inovação e Competição, conforme informado pelo jornal O Globo. "O Biden, desde que assumiu, falava em anunciar um plano de investimentos, que agora se consolidou na aprovação dessa grande política industrial", disse Silva, acrescentando ainda a nova "política tecnológica" porque entra na "eletromobilidade, e outras transformações da mobilidade".

De acordo com o presidente da IndustriALL, Biden está fazendo um movimento para criar empregos de qualidade e deixar de depender da Chin e do Sudeste Asiático.

O papel do Brasil no xadrez internacional

"O Brasil está na contramão. Enquanto os países centrais estão usando o estado para planejar e fomentar a economia, o Brasil está desmontando suas estruturas de fomento e financiamento, além de tirar do Estado o papel de planejar", explica o metalúrgico.

A aposta exclusiva do governo Bolsonaro nas commodities e no agronegócio está diminuindo o parque industrial brasileiro. Importantes indústrias vêm saindo do País desde o ano de 2019, como Ford, Sony, LG, Cannon, entre outras.

Com isso, a riqueza gerada pela indústria decresce em relação ao PIB e os empregos de boa qualidade e remuneração vão desaparecendo. "Estamos criando um abismo aqui no Brasil porque esses setores não empregam grande parte da mão de obra e não geram renda para grande parte da população", aponta Silva.

Do mesmo modo, a perda das indústrias causa impactos internacionais: se desindustrializando, o País fica fora das cadeias globais de produção.

"Nós estamos na lógica de dimunuir o papel do Estado, tirar do Estado o papel de planejar a economia e deixando ao deus dará a política industrial", conclui Aroaldo Olivera da Silva.

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