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O que muda com os atos de 7 de Setembro?

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Bolsonaro

Os desdobramentos dos atos bolsonaristas no 7 de Setembro ainda são incertos. Mesmo com legendas como PSD, MBD e PSDB começando a falar de impeachment, o cenário ainda é incerto.

Ricardo Berzoini, vice-presidente do PT do Distrito Federal, afirma que é difícil determinar qual o saldo das manifestações para Bolsonaro. Do ponto de vista lógico, diz ele, o presidente saiu enfraquecido. A questão é que o bolsonarismo não segue a mesma lógica que seus adversários.

"Ele conseguiu produzir boas fotos para dizer que tem o povo com ele. Evidentemente, sabemos que ele tem uma parte limitada e minoritária do apoio popular", avalia. "Ele arriscou transpor o rubicão e, portanto, arriscar cair em um isolamento maior. Mas acho que ele está testando, continua tensionando os limites".

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A avaliação do petista ecoa a posição do filósofo Marcos Nobre, que, antes das manifestações, projetou que não haveria golpe no 7 de setembro, mas que se trataria de um ensaio geral. Para ele, um golpe é o objetivo final de Bolsonaro, objetivo que o chefe do Executivo provavelmente combinará com a disputa - e contestação - das eleições.

Nesse jogo de testes, Berzoini descarta, por enquanto, uma queda rápida de Bolsonaro. "A maior parte dos partidos está interessado em manter a distribuição de dinheiro [via emendas], não haverá uma reação contundente. Vai haver reação, vão falar de impeachment, mostrar os dentes mas sem morder", prevê.

Rogério Arantes, professor de Ciência Política da USP, em uma explicação nas redes sociais, ressaltou que as atitudes do presidente afastam a hipótese de "que o caminho até 2022 será fácil", mas que a possibilidade de um golpe de Bolsonaro é reduzida. O docente viu nas manifestações um caráter eleitoralista.

"Sem condições de dar um golpe hoje e sem condições de ganhar em 2022, Bolsonaro poderia, e tem tentado, inviabilizar a realização das próprias eleições. Não conseguirá", ponderou.