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O quanto a sua cidade está adaptada às mudanças climáticas?

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mudanças climáticas

O Índice de Adaptação Urbana, UAI, na sigla em inglês, foi criado por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) para responder a essa questão. A Agência Bori conta que o "UAI busca avaliar a presença ou ausência de estruturas legais e regulatórias de apoio a intervenções urbanas ligadas à adaptação climática".

Para tanto, o UAI utiliza 26 indicadores. Cada um deles está ligado a cinco conjuntos de políticas públicas municipais: habitação, mobilidade urbana, agricultura sustentável, gestão ambiental e gestão de riscos climáticos. E também projeções climáticas para o País e o sistema de governança do Brasil.

Apesar do UAI ter sido publicado na revista científica “Climatic Change”, ele corrobora as necessidades apontadas pelo IPCC da ONU divulgado na segunda-feira (9), que anuncia que o Brasil estará sujeito ao aumento de temperaturas, ondas de calor, secas e enchentes.

Análise das cidades paulistas quanto ao índice

Os pesquisadores utilizaram os 645 municípios do estado de São Paulo como amostra para a pesquisa. De acordo com o estudo, mais da metade deles apresenta baixa capacidade de adaptação às mudanças climáticas. Contudo, a pesquisa revelou que as maiores cidades do estado, assim como as cidades do entorno, possuem as melhores ferramentas para lidar com os efeitos, alcançando maior pontuação - como é o caso da capital do Estado, São Paulo.

Entretanto, os pesquisadores que elaboraram UAI esperam que ele seja utilizado por todas as cidades do País. Gabriela Marques Di Giulio, coautora do estudo, afirmou: “O uso de dados públicos facilita a atualização do UAI de forma dinâmica e faz com que ele seja útil para acompanhar as mudanças e processos de transição das cidades”.

Uma ferramenta para a mudança

No mesmo sentido, a pesquisadora defende que o UAI pode ser um instrumento de mudança. “Ao avaliar as diferenças e semelhanças entre a capacidade atual das cidades (ou a falta dela) para lidar com os impactos e os riscos das mudanças climáticas, este índice pode estimular o debate entre as cidades para que criem políticas públicas que alinhem adaptação à sustentabilidade urbana”.

Pelo lado dos pesquisadores, a ideia é aprofundar as pesquisas do UAI e criar outros índices sobre as mudanças climáticas. “A ideia é que esses índices estejam conectados às especificidades da realidade brasileira, sejam facilmente usados, que reflitam a capacidade adaptativa das nossas cidades”, conclui.

Outro ponto importante ressaltado pela pesquisadora é o fato do índice gerar debate público sobre a questão das mudanças climáticas. “Ao avaliar as diferenças e semelhanças entre a capacidade atual das cidades (ou a falta dela) para lidar com os impactos e os riscos das mudanças climáticas, este índice pode estimular o debate entre as cidades para que criem políticas públicas que alinhem adaptação à sustentabilidade urbana”. Di Giulio reconhece que, embora melhorias nos níveis de renda, educação e saúde sejam importantes para reduzir vulnerabilidades às mudanças climáticas, é preciso também considerar as capacidades específicas de cada cidade para enfrentar esse contexto, como planos de contingência, política de uso de solo urbano e mapeamento de áreas de risco.

O próximo desafio do grupo do Projeto CiAdapta, segundo Di Giulio, é aplicar o UAI e, também, produzir outros índices sobre mudanças climáticas com métricas robustas para serem utilizados pelas cidades brasileiras. “A ideia é que esses índices estejam conectados às especificidades da realidade brasileira, sejam facilmente usados, que reflitam a capacidade adaptativa das nossas cidades”, finaliza.