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O Primeiro de Maio e Nossa Réstia de Esperança – Nunca Foi um Dia de Festa

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Imagem do site Recontaai.com.br

A data tem origem no Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores. A Associação Internacional dos Trabalhadores, fundada em 1864 sob inspiração de Marx, iniciou a luta do trabalhador organizado por melhores condições de vida, combatendo condições desumanas da exploração do trabalho, especialmente em relação às jornadas diárias de 12, 14 e até de 16 horas. Em 1866, o primeiro de maio marcou a conhecida greve nos EUA que fincou a data como um marco internacional dos trabalhadores.

Organização sindical, direitos e greves. Estes são os elementos mais significativos que cercam a data. Ela se insere simbolicamente dentro das relações entre capital, trabalho e alienação, tão clássicas às lutas trabalhistas. No momento em que as regras de exploração do trabalho são seguidas passivamente, mecanicamente, processos e símbolos de conscientização vêm lembrar aos trabalhadores quem eles são, o que fazem, a quem pertencem e do que devem escapar.

E o que o primeiro de maio encontra em 2021 no Brasil? 14 milhões e meio de desempregados. Mais de seis milhões de desalentados. A taxa de informalidade está em volta de 40% de nossa força de trabalho. O ano de pandemia deixou 7,8 milhões de pessoas sem emprego, mas gerou 79,3 bilhões de lucros aos bancos neste mesmo período. O isolamento, levado bem mais à risca à esquerda do à direita, dificulta a ida às ruas, assembleias, reuniões, encontros, marchas ou manifestações.

Os trabalhadores têm que enfrentar a doença, o desemprego, o custo de vida cada vez mais alto, o fim de garantias trabalhistas, a crise dos sindicatos, a ausência de programas sociais e econômicos de auxílio e, acima de tudo, anos de massificação com ideias que procuraram tornar anacrônicos todos os valores coletivistas, toda a representação de classe, toda forma de organização e pensamento que enfrente o capital. O empreendedorismo, a identificação com valores e imagens das classes dominantes impregnaram todos os estratos sociais. Os debates políticos que dominam a cena pública se afastam de qualquer possibilidade de conflito de classes. Em meio à tragédia social em que vivemos, talvez a maior de nossa história, a conciliação é o tom dominante.

O primeiro de maio, em melhores momentos, já foi festivo e valorizou a cultura e a união das classes trabalhadoras. Em momentos críticos, foi de enfrentamento e luta, basta lembrar Vila Euclides e o quanto contribuiu para o fim da Ditadura militar. Neste ano, corremos o risco de manifestações virtuais que englobam personalidades e lideranças que sempre acharam tanto a carteira quanto a Justiça do Trabalho estorvos sem sentido.

O movimento sindical sempre teve grande relevância nos principais temas nacionais. Bastaria lembrar, nos últimos tempos, a política de valorização do salário mínimo no governo Lula, em 2006, com as Centrais Sindicais participando ativamente do resgate de uma dívida social de várias décadas. Participaram de de Conselhos de Políticas Públicas como o Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda e o Sistema Único de Saúde, por exemplo. Participaram da gestão de fundos públicos como o Codefat e o FGTS. Participaram de Mesas de Aperfeiçoamento de Condições de Trabalho em setores importantes como o do plantio de cana e a construção civil, obtendo melhores condições de vida e garantias de trabalho e pensão junto à legislação. Sindicatos sempre foram essenciais para a conquista de novos patamares civilizatórios no Brasil. Especialmente quando deles nasceu um partido e uma liderança que, por um breve período em nossa história, mostrou que poderíamos aspirar ser uma sociedade mais justa, poderíamos aspirar até mesmo a pequenas benesses da civilização com a qual a imensa maioria de nossos cidadãos jamais sonhou.

Desde o golpe, tanto os direitos trabalhistas quanto os sindicatos e seu partido foram as vítimas da opressão. O golpe foi abertamente contra o trabalhador. Teríamos tudo para um primeiro de maio desalentado, como os dos últimos anos. Mas, neste ano, ao menos uma luz se acendeu. Ganhamos de volta uma nesga de esperança. Entre as monstruosas dificuldades, não há uma feição de gente trabalhadora ou humilde que não se transforma ao vislumbrar aquela possibilidade, aquele tempo recente que tentaram apagar com palavras vazias, sentenças viciadas e notícias falsas.

O Primeiro de Maio de 2021, entre as infinitas tristezas, tem a luz de Lula de volta. Que sindicalistas, militantes, inconformados, desempregados e desesperados aproveitem essa luz. E esqueçam a sedução dos inimigos que os colocaram nesta situação. Vamos estender o Primeiro de Maio e lembrar que nossa luta é a do trabalhador. É o lado em que nos encontramos.