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O Primeiro Choque – Petrobras e Diretrizes do Novo Governo Lula

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A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. (...) Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.

(Carta Testamento, Getúlio Vargas)

Enquanto o atual governo liquida a Eletrobras e desespera-se para vender a Petrobras a toque de caixa, com apoio do mercado financeiro e de toda a mídia, um novo governo se planeja a partir de um projeto desenvolvimentista. “Promover a reindustrialização de amplos e novos setores e daqueles associados à transição para a economia digital e verde. (...) Faz parte desse esforço o desafio de reverter a desnacionalização do nosso parque produtivo e modernizá-lo”, anunciam as diretrizes do novo plano de governo. E avança: “É imprescindível garantir a soberania e a segurança energética do país, com ampliação da oferta de energia, aprofundando a diversificação da matriz, com expansão de fontes renováveis a preços compatíveis com a realidade brasileira. Além disso, é necessário expandir a capacidade de produção de derivados no Brasil, aproveitando-se da grande riqueza do pré-sal, com preços que levem em conta os custos de produção no Brasil”.

Essa proteção do patrimônio energético e a retomada do papel indutor do Estado e das estatais para que atuem no processo de desenvolvimento econômico e garantam o “progresso social, produtivo e ambiental do país” é o grande pavor de boa parte da elite dominante. Não só inverte o projeto levado a cabo desde o golpe, de redução da presença econômica do Estado a zero, como necessita de uma reestruturação do próprio aparato estatal, desmantelado por Parente, Guedes et caterva nos últimos anos.

A apresentação das diretrizes do programa de governo da aliança partidária Vamos Juntos Pelo Brasil trouxe a clara oposição à privatização em curso da Petrobras e da Pré-Sal Petróleo S.A., além da Eletrobras. O que já sabíamos. Como será a recuperação desse patrimônio, não sabemos. Mas na medida em que se fala, com maior veemência, em segurança energética, autossuficiência nacional em petróleo e derivados, em soberania energética, em fundo social do pré-sal a serviço do futuro – todos os termos são recorrentes nos pontos das diretrizes – entra-se em choque direto, uma trombada violenta em todas as forças que engendraram e se beneficiam do golpe de 2016.

Se assinar a carteira da empregada doméstica ou sentar ao lado de trabalhadores nos aviões faz com que nossa casta de privilegiados torça o nariz, a aliança com potências e interesses internacionais sempre se torna possível quando ameaçamos utilizar nosso patrimônio energético para o desenvolvimento nacional. Getúlio morreu por isso e sabendo disso perfeitamente. Jango sentiu isso na pele. Dilma foi deposta durante a execução do PAC.

Não será possível a reindustrialização sem a Eletrobras e sem a Petrobras. Não será possível retomar padrões de vida dos anos petistas e combater a desigualdade enquanto não garantirmos para o domínio de nossos principais ativos de promoção do desenvolvimento econômico e social. O capital internacional e o “Mercado”, seus tentáculos visíveis e invisíveis, tentam há décadas destruir a Petrobras. E a mídia corporativa, porta-voz desses interesses, sempre colaborou com essa missão. Basta lembrar que, enquanto o mundo voltava os olhos para o pré-sal, os analistas da mídia diziam que ele só existia em campanha política, que jamais teríamos capacidade para explorá-lo…

Dentre todas as lutas que terão de ser encetadas logo no início do governo, a nacionalização de nossas matrizes energéticas será o mote dos apoiadores e da máquina global de desestabilização. Promover a conscientização sobre o tema – como o fez a campanha O Petróleo é Nosso, lá trás – e buscar alianças entre as novas potências hegemônicas que surgem no horizonte, compondo blocos e alianças que resistam à avidez das grandes corporações, dos norte-americanos e europeus, serão tarefas conjuntas e imprescindíveis. Disso dependerá nossa independência e o sucesso do novo governo.