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"O dinheiro do Estado é do povo e tem que ser usado para o bem do povo", alerta Rita Serrano

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Durante live no Instagram de Guilherme Boulos, nesta segunda-feira (8), a representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, falou sobre o papel das empresas públicas nos momentos de crise.

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Rita explicou porque os pequenos empresários brasileiros tentam conseguir empréstimos nos bancos e não conseguem. “O nosso sistema financeiro é um dos que mais lucram no mundo. Mesmo durante essa crise, eles estão lucrando. Eles baixam os juros, mas não querem emprestar”, disse.

Ao falar sobre o papel da Caixa, Boulos ressaltou que o Banco Público está presente em quase todos os municípios brasileiros porque ele pensa nas pessoas.

“Eu sou contra a Caixa virar uma sociedade anônima porque o interesse do acionista é um só: o lucro. O lucro tem que ser revertido para a população, não é pra colocar no bolso de ninguém”, acrescentou Rita ao explicar seu posicionamento contra a privatização da instituição.

Ao lembrar o papel da Casa da Moeda, do Banco do Brasil e da Caixa, Rita Serrano explicou que essas empresas públicas são centenárias e pertencem ao povo brasileiro.

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Auxílio emergencial

No bate-papo, Rita falou sobre os problemas do auxílio emergencial e da falta de conhecimento que o Estado tem da realidade do povo brasileiro. De acordo com ela, o auxílio foi aprovado em abril, “mas não era uma proposta do governo”.

A representante dos empregados do Banco Público elencou as principais falhas relacionadas ao auxílio. Ela lembrou que o governo esperava somente 24 milhões de brasileiros dentro dos critérios para receber o auxílio emergencial. Hoje são 107 milhões de cadastros.

Para Rita, restringir o cadastro a um único aplicativo é um problema seríssimo que ainda não foi resolvido. “Nós temos um país onde 1/4 dos domicílios brasileiros não tem acesso a internet”, destacou ao informar que o Decreto não mostra uma alternativa para esse problema.

Boulos contou que muitos moradores de rua e pessoas do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) tiveram problemas com o cadastro exatamente pela falta de celular ou de internet.

“Eram feitos mutirões para cadastrar todo mundo de uma vez, mas tinham problemas com isso também, já que eram vários cadastros pelo mesmo celular”, explicou o professor.

De acordo com Rita, para resolver problemas como este, o governo poderia ter feito parcerias com as prefeituras, agilizando o cadastro.

Já sobre a operação de pagamento, Rita destacou a expertise, a capacidade e o corpo técnico da Caixa. Mas frisou que neste momento de pandemia o ideal seria dividir essa operação pelo menos entre os outros bancos públicos.

“São quatro bancos públicos federais que têm condições de realizar as tarefas. Tivemos uma falha de planejamento, uma falha de conhecimento e um grande descaso com a situação brasileira”, finaliza.