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O Brasil na rabeira do crescimento econômico mundial - parte 2

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Afirmamos no artigo anterior - O Brasil na rabeira do crescimento econômico mundial – parte 1 - que o Brasil está na rabeira do crescimento econômico mundial, tanto na comparação entre todos os países (informações do Fundo Monetário Internacional) quanto na comparação com os países da América Latina e Caribe (informações da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe – CEPAL/ONU).
No caso mundial, segundo o relatório do FMI, o Brasil encontra-se na posição 180ª entre 193 países!

No caso da América Latina e Caribe, o Brasil também está na rabeira do crescimento. Entre 33 países da região, a CEPAL estima que o Brasil será o país de menor crescimento em 2022.
E por que estamos na rabeira do crescimento? Algum desígnio divino?
Conforme dissemos no artigo anterior, a escolha por uma política econômica ultraliberal, política que está sendo abandonada pelos maiores países todo o mundo, é responsável por essa letargia da economia brasileira.

E quais são as linhas gerais dessa política econômica ultraliberal?

  1. Reduzir o Estado ao mínimo, através da Emenda Constitucional 95 de 2016, que limita o crescimento dos gastos primários da União à taxa de inflação do ano anterior. Não à toa, os investimentos públicos, e em políticas sociais, foram reduzidos aos menores valores, como proporção do PIB, em décadas;
  2. Atrelar os preços internos dos derivados de petróleo (gás, diesel, gasolina, querosene de aviação) ao preço de paridade internacional – PPI, que leva em conta o preço internacional do barril de petróleo e a variação do dólar em relação ao real. Essa política de preços tem levado à explosão dos preços dos combustíveis;
  3. Reforma trabalhista, a partir de 2017, que derrubou os salários, retirou direitos e precarizou o trabalho desde então.

Registre-se que esse padrão anêmico de crescimento não é de hoje. Desde o golpe que derrubou o governo Dilma em 2016, a maior taxa de crescimento, excluindo a recuperação do ano passado, após o tombo do PIB de 2020 em função da pandemia, foi de incríveis 1,8% em 2018! Excluindo 2021, em 7 anos a maior taxa de crescimento não alcançou 2%!

É verdade que um país não cresce apenas por fatores domésticos. Ele está sujeito às turbulências internacionais também. E nos anos recentes tivemos dois choques: a pandemia e a guerra entre Rússia e Ucrânia.

No entanto, um país de dimensões continentais como o Brasil, que tem uma das maiores economias do mundo, pode e deve praticar políticas que minimizem os impactos dos choques externos na nossa economia. Tudo que esse (des) governo não faz.

Com renda real em queda para a imensa maioria da população, com taxa de investimento público nos menores níveis em décadas (por opção do governo ultraliberal) e com enorme insegurança no trabalho (alto desemprego, precarização do trabalho), não surpreende que a economia brasileira não levante voo.

E, convenhamos, só levantará voo com o fim desse governo e a adoção de outra política econômica, em sentido oposto à atual. Um novo governo que represente os interesses da maioria da população, e não apenas dos mais ricos.