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O Brasil dos lixões que Pedro Guimarães, presidente da Caixa, não conhece

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Imagem do site Recontaai.com.br

Somente há três semanas que o Presidente da Caixa, Pedro Guimarães, descobriu que há milhares de pessoas morando em lixões no Brasil.

Aos 49 anos de idade, o presidente de uma das mais importantes instituições do Brasil no combate à pobreza e à miséria – a Caixa, afirmou que conheceu a realidade dos lixões há apenas três semanas.

Ao que parece, Pedro Guimarães não vivia no Brasil. Ou se vivia, escolheu se alienar da realidade. Afinal, em 19 de novembro 1991, Xico Sá apresentou ao País “A triste história Homem Gabiru”. A matéria publicada na Folha de S.Paulo contava a trajetória de um nordestino que por causa da miséria absoluta em que viveu desde o nascimento, media apenas 1,35m.

Imagem: Arquivo Folha de São Paulo

Ou então Pedro Guimarães não teve contato com o documentário Ilha das Flores, de 1989, dirigido por Jorge Furtado. Tido como um dos 100 melhores filmes brasileiros e melhor curta-metragem de todos os tempos, o documentário retrata a história de famílias que sobreviviam do resto da comida dada aos porcos, em Porto Alegre. Ilha das Flores era um local na cidade de Porto Alegre destinado ao depósito de lixo. 

O presidente da Caixa também não conheceu o sociólogo Betinho e a sua campanha nacional contra a fome. Não entendeu a obsessão de Lula em tirar brasileiros da extrema pobreza. Não havia descoberto até então porque o Bolsa Família, pago pela Caixa, foi premiado internacionalmente como política pública de combate à miséria.

“Quem não conhece o Brasil não conhece a Caixa. E só quem não conhece a Caixa, não defende que ela seja um banco 100% público.”

Sérgio Takemoto, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae)

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A realidade dos lixões e da miséria (intelectual)

Ainda hoje, ao menos 49,9% dos municípios brasileiros descartam seus resíduos sólidos em lixões – o que é assustador do ponto de vista ambiental e trágico do ponto de vista humano. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico do ano de 2005, 7.264 pessoas ainda tiravam seu sustento desses lixões.

Em Brasília, capital do País, sede do poder político e local de trabalho de Pedro Guimarães, está localizado o segundo maior lixão do mundo. O Lixão da Estrutural nasceu com a cidade. Nele, acumulam-se mais de 40 milhões de toneladas de resíduos. E, assustadoramente, duas mil pessoas ainda tiram seu sustento dele, trabalhando com reciclagem.

Ou seja, Pedro Guimarães não precisaria ter feito quase 90 viagens em dois anos, com dinheiro público, para conhecer essa realidade. Bastava ter aberto a janela do carro pelo menos uma vez – o que seria imprescindível para o presidente do único banco 100% público do Brasil.

Afinal, a Caixa é o braço do Estado brasileiro para o pagamento de todos os programas sociais. Por exemplo, o Bolsa-Família, cuja fila para acessá-lo seguirá com 1 milhão de brasileiros após a redução do auxílio emergencial. Ou o Minha Casa Minha Vida, que possui 100 mil moradias inacabadas. Ambos programas destinados a essa gente, que Pedro Guimarães não conhecia. E ao desenvolvimento social e econômico do Brasil.