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O Banco Mundial dá más notícias para o Brasil. Será inevitável?

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Sérgio Mendonça

Relatório do Banco Mundial divulgado em 20 de julho de 2021 aponta que as sequelas da crise econômica da COVID-19 podem perdurar por nove anos no mercado de trabalho brasileiro. E que, como esperado, esse impacto será maior para os trabalhadores de menor qualificação que estão ocupados no setor informal.

Será inevitável essa previsão do Banco Mundial?

Não creio nessa inevitabilidade. Apenas se as opções de política pública e política econômica seguirem sendo essas desse (des)governo.

A economia brasileira está se retraindo e andando de lado desde 2015. Já vinha mal das pernas antes da pandemia. O PIB por habitante, indicador médio do padrão de vida da população do país, deverá encerrar 8% abaixo do pico de 2013. Isso quer dizer que estamos 8% mais pobres, em média, do que há oito anos. Em 2021 a taxa de investimento estava cerca de 5 pontos abaixo do pico de 2014. Naquele ano a taxa de investimento atingiu cerca de 20% do PIB. Em 2020 estava em torno de 15% do PIB.

As políticas adotadas desde 2016, após o golpe parlamentar que derrubou o governo Dilma, não trouxeram nenhum resultado significativo para enfrentar o desemprego e a precarização do trabalho. Ao contrário. O desemprego praticamente dobrou e se mantém em alto patamar (em torno de 13 a 15%) desde 2016. Tão grave quanto o desemprego, a subutilização da força de trabalho mantém-se em torno de 30% nos últimos anos. E a informalidade atinge cerca de 40% dos ocupados no mercado de trabalho. Cerca de 40 milhões de brasileiros não têm e não terão acesso a direitos como previdência, seguro desemprego, FGTS, abono salarial, férias e 13° salário se a informalidade não diminuir.

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As principais políticas adotadas às quais me refiro foram o teto de gastos (emenda constitucional 95 de 2016), a reforma trabalhista (2017) e a reforma da previdência (2019). E, também, as privatizações de empresas públicas. Todas embaladas no falso argumento de que menos Estado daria mais confiança para o setor privado investir. A velha ladainha do Estado Mínimo e da fadinha da confiança.

Desde 2016 os neoliberais afirmam que se os gastos públicos, o déficit e a dívida pública estiverem sob controle, o investimento privado aumentará e a economia crescerá gerando emprego e renda! Cinco anos se passaram e nada! Os dados do PIB e do investimento citados acima confirmam esse fracasso. E seguem tentando nos convencer de que estamos no rumo certo!

Só que há muita novidade no ar e não são aviões de carreira! A pandemia levou Estados Unidos e Europa a proporem novas políticas para o enfrentamento da crise. E são políticas bem diferentes das até aqui adotadas pelo atual (des)governo. Preveem mais intervenção do Estado, forte transferência de renda para proteger crianças, idosos e segmentos vulneráveis, vultosos recursos públicos para estimular o investimento em infraestrutura, em ciência e tecnologia, e por aí vai. Um “rombo” no casco da ideologia do transatlântico neoliberal!

A China, então, nem se fale. Há mais de 4 décadas não segue a cartilha neoliberal! Lá o Estado comanda a economia há muito tempo. Empresas públicas, bancos públicos dão o tom do desenvolvimento chinês. O país não para de crescer e, recentemente, zerou a extrema pobreza. Em 4 décadas a China retirou 700 milhões de pessoas da extrema pobreza, mais de 3 vezes toda a população brasileira.

E até o FMI defende que o Estado apoie fortemente o investimento em infraestrutura. Sim, aquele, o FMI!

E nós aqui em Pindorama? Parece que habitamos outro planeta! O atual (des)governo segue defendendo políticas anacrônicas e ultrapassadas.

Por isso defendemos que não é inevitável a previsão do Banco Mundial de que o país poderá levar até 9 anos para recuperar o mercado de trabalho após a pandemia. É possível voltar a crescer, gerar emprego e renda, enfrentar o desemprego, a precarização do trabalho e a informalidade.

Não será uma tarefa fácil. É desafiadora! Para isso a primeira medida é mudar de governo e de rumo na política econômica. Retirando, pelas vias constitucionais e legais, esse (des)governo. Através do impeachment, renúncia ou no voto nas eleições de 2022. São urgentes e necessárias novas políticas vindas de um novo governo, apoiadas em intervenção do Estado na economia - investimento em infraestrutura, transferência de renda, crédito público, entre outras – aliás, como estão fazendo os países com as maiores economias do mundo.

Novas políticas que, se adotadas, certamente farão o Banco Mundial errar “feio” nas suas previsões para o Brasil!