Reconta Aí Atualiza Aí O auxílio emergencial é suficiente para sustentar a economia?

O auxílio emergencial é suficiente para sustentar a economia?

Auxílio Emergencial

A salvação do governo brasileiro – e de milhões de cidadãos – tem sido o auxílio emergencial. Mas quais os verdadeiros impactos do benefício?

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O auxílio emergencial e a economia do Brasil

Por Emílio Chernavsky

Além de ser absolutamente essencial para atender às necessidade de sobrevivência de grande parte da população brasileira, o auxílio emergencial é fundamental para a sustentação da atividade econômica, contribuindo para elevar o consumo interno e, com isso, as vendas e a produção de bens e serviços, evitando o aumento do desemprego.

Entretanto, ele é insuficiente para iniciar um processo robusto de retomada da economia, especialmente se for desenhado com um valor reduzido, um conjunto de beneficiários excessivamente restrito e durar por um prazo demasiadamente curto. Nesse caso, o empuxo à demanda será limitado e incerto e, assim, insuficiente para induzir o investimento produtivo. Sem ele, a economia permanece estagnada.

Para mudar a situação, é preciso não apenas garantir que o auxílio possua o valor, a extensão e a duração adequadas – ou seja, significativamente maiores do que o governo tem anunciado -, como é necessário o desenho e implantação de um robusto programa de investimentos públicos que, ao garantir o aumento da demanda, permita o início de um novo ciclo de crescimento econômico.

O valor do benefício em relação à cesta básica

Por Fausto Augusto Júnior, diretor técnico do Dieese

O debate sobre o retorno do auxílio emergencial demonstra a falta de política do atual governo em relação ao enfrentamento da pandemia. O auxílio é uma política temporária que visa minimizar os impactos da Covid-19 para os mais pobres. É segurança alimentar, viabilização de enfrentamento da fome gerada pela perda de renda nessa crise sanitária e econômica.

A referência de valor deveria ser a cesta básica, parâmetro utilizado, de alguma forma, pelo Congresso quando da definição da primeira rodada do auxílio de R$ 600,00.

Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos do DIEESE, em janeiro de 2021, a cesta mais cara, no caso a da cidade de São Paulo, custou R$ 654,15, valor suficiente para suprir as necessidades alimentícias de uma única pessoa no mês.

Valor inferior a R$ 600,00, como tem sido divulgado como proposta do governo (R$ 250,00), portanto, mostra a falta de reconhecimento das demandas sociais dos mais pobres e desconsideração do aumento dos preços dos alimentos no Brasil no último ano, que tiveram alta de 14% contra 4,52% da inflação geral, de acordo com o IPCA/IBGE.

Gravíssimo também é utilizar o debate do auxílio emergencial para realizar mudanças estruturais na Constituição e na garantia de recursos para manter os direitos sociais, como tem sido proposto na PEC Emergencial, que pretende acabar com as vinculações orçamentárias da saúde e educação. Isso significará o desmonte das políticas civilizatórias criadas na Constituição de 1988.

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