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O arroto do boi: compromisso global para redução de metano exige mudança na pecuária brasileira

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arroto do boi

A Conferência Mundial do Clima - a COP 26, realizada na cidade de Glasgow, Escócia, teve um dos dias mais importantes: ontem (2) foi assinado por mais de 100 países o compromisso global de metano, um dos poluentes responsáveis pelo efeito estufa ao lado do dióxido de carbono (CO2).

A meta acordada é a redução das emissões em 30% até 2030. Segundo o Observatório do Clima, essa ação "pode ajudar a humanidade a ganhar algum tempo para acelerar a transição para uma economia sem combustíveis fósseis, mantendo viva a meta do Acordo de Paris de estabilizar o aquecimento da Terra em 1,5°C".

Apesar do metano e o CO2 serem gases que aprofundam o efeito estufa e contribuirem negativamente para a crise climática, eles têm origem diferentes. Enquanto o CO2 é emitido principalmente pela queima de combustíves fósseis - pétroleo, carvão e gás natural - o metano vem principalmente da pecuária, como subproduto da digestão dos animais e do descarte de resíduos sólidos. Dados do Observatório do Clima mostram que o Brasil tem uma fonte expressiva de emissões de metano. Somente as emissões do rebanho bovino representaram 17% de todos os gases-estufa do país em 2020.

O "arroto do boi" pode ser evitado com o uso de medidas sustentáveis na agropecuária

No Brasil, o subproduto da digestão dos animais é chamado de "arroto do boi", e tem solução. Ou soluções. A diminuição do número de rebanhos seria a mais drástica delas. Conforme anunciou o IBGE, em 2019 o número de bois ultrapassou o número de habitantes no Brasil. Foram estimados 214,7 milhões de cabeças de gado no ano, sem levar em conta outros animais, como porcos, caprinos e outras espécies criadas para alimentação humana. Entretanto, além da questão econômica - já que a agropecuária é o setor que compõe a maior parte do PIB do Brasil - não parece existir disposição da população brasileira para a redução do consumo de carne.

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A outra solução possível é o cumprimento do Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), que fornece financiamento para a adoção de tecnologias sustentáveis na produção agropecuária. Como explica Suely Araújo, especialista-sênior em Políticas Públicas do Observatório do Clima, "O País tem tecnologias disponíveis tanto no Plano ABC, na agricultura, quanto no setor de manejo de resíduos sólidos para reduzir as emissões de metano com ganho de eficiência. Só que isso exigirá um grau de priorização e investimentos que é incompatível com o atual governo federal".

Apesar da urgência do tema para o futuro da sobrevivência da humanidade, a especialista opina: "Cumprir o compromisso global de Glasgow será uma tarefa para o governo eleito em 2022".