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No dia internacional do estudante, Enem chega fragilizado e aparelhado pelo bolsonarismo

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A Educação sempre foi um dos alvos preferenciais de Bolsonaro e do bolsonarimo. E desde 2019, quando o atual presidente da República assumiu o poder, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem mostrado as consequências dessa guerra cultural travada pelo bolsonarismo.

Se em 2019 Bolsonaro prometeu tomar conhecimento da prova antes da aplicação da mesma - o que é ilegal - e a falência da gráfica que a imprimia quase colocou em risco a realização do exame, em 2020 chamou a atenção a falta de conteúdos ligados à História do século XX no Brasil, tais como a Ditadura Militar e a Era Vargas e a abstenção de mais de 50% dos candidatos nas provas.

Porém, em 2021 os problemas se acirraram ainda mais. Funconários públicos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela avaliação, acusaram membros do governo de assédio e censura. Frente a isso, 37 funcionários pediram demissão coletiva denunciando as más práticas adotadas pelos gestores do órgão na última semana.

As denúncias geraram escândalo e colocaram novamente um holofote sobre a prova utilizada por estudantes de todo o País para acessar o ensino superior. O medo dos estudantes se justifica, já que frente à péssima gestão da educação, na Pasta por onde já passaram três ministros diferentes desde a posse de Jair Bolsonaro, não se sabe como a próxima prova, marcada para 21 e 28 de novembro, ocorrerá.

Fortes indícios de censura no Enem

Na segunda-feira (15), em Dubai, Bolsonaro afirmou que a prova do Enem deste ano tinha a cara do governo. Essa fala levanta importantes dúvidas já que a prova deveria ser sigilosa e imune a ideologias, conforme orientação da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão feita ao Ministério da Educação em setembro deste ano.

O atual ministro da Educação, Milton Ribeiro, se apressou em dizer que Bolsonaro não tinha tido acesso à prova. Contudo, Daniel Cara, professor de Fundamentos Econômicos da Educação da USP, questionou: "Milton Ribeiro negou a interferência de Jair Bolsonaro no Enem. Qual palavra vale mais: a dele ou a de Bolsonaro - que disse em Dubai que a prova começa a ter "a cara do governo"?".

Essa dúvida faz com que a matéria publicada nesta quarta-feira (17) em O Estado de S. Paulo sobre o tema tenha ainda mais impacto. Nela, os servidores que se demitiram do Inep afirmam que houve pressão para trocar itens e supressões de questões das provas a serem aplicadas nos dias 21 e 28 deste mês.

Qual a legitimidade da interferência de Jair Bolsonaro em uma prova?

A patrulha ideológica sobre o Enem parece buscar esconder uma verdade inconveniente: o presidente da República iria muito mal na avaliaçao sobre conteúdos do Ensino Médio. O perfil Desmentindo Bolsonaro selecionou falas completamente absurdas e que contrariam os princípos mais básicos da Matemática, das Ciências da Natureza e da língua portuguesa para mostrar, com humor, quais seriam as bases para uma prova com a "cara" do presidente.