Pular para o conteúdo principal

Necessidade de trabalhar e desinteresse motivam fuga escolar

Imagem
Arquivo de Imagem
Imagem do site Recontaai.com.br

Foto: Suami Dias/ GOVBA

Dos quase 50 milhões de jovens de 14 a 29 anos do País, aproximadamente 20,2% não completaram alguma das etapas da educação básica: ou seja, 10,1 milhões abandonaram os estudos, mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgada nesta quarta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A edição – que trouxe um  recorte do cenário do setor educacional em 2019 – revela que a necessidade de trabalhar, o desinteresse e a gravidez são os principais motivos que levam jovens brasileiros a abandonarem os estudos.

A maior parte dos que deixaram os bancos escolares é formada por homens: 58,3%. Precisar trabalhar foi o motivo apontado por metade deles para terem abandonado os estudos ou nunca frequentado a escola, seguida pela falta de interesse (33%).

A inexistência de escola, vaga ou turno desejado na localidade foi a razão de 2,7% e apenas 0,7% alegaram afazeres domésticos para ausência à escola. 

Já entre as mulheres, a falta de interesse ser a principal razão (24,1%) fica bem próxima da necessidade de trabalhar e da gravidez (ambas com 23,8%), seguidas por afazeres domésticos (11,5%).

Trabalho

Em todas as regiões brasileiras, a necessidade de trabalhar foi a principal razão alegada por jovens, sendo que no Sul (48,3%) e no Centro-Oeste (43,1%) as taxas são maiores; e no Nordeste, menor (34,1%). Já o não interesse em estudar foi o segundo principal motivo informado, sempre acima de 25%, com destaque para o Nordeste, com 31,5%.

“Esses dois principais motivos somados alcançam cerca de 70% desses jovens, independentemente da região, e sugerem a necessidade de medidas que incentivem a permanência dos jovens na escola. A taxa de analfabetismo no país (6,6%) está em queda constante, atingindo quase à universalização do ensino. Mas elevar o nível de escolarização até a conclusão do ensino médio ainda parece ser um desafio”, comenta a analista da pesquisa Adriana Beringuy.

Anafalbetismo

A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais no Brasil ficou em 6,6% em 2019, o que corresponde a 11 milhões de pessoas. Em relação a 2018, houve uma redução de aproximadamente 200 mil analfabetos em 2019.

Quanto mais velho o grupo populacional, maior a proporção de analfabetos. No grupo etário de 60 anos ou mais, a taxa foi de 18%, o que corresponde a quase 6 milhões de pessoas.

Na análise por cor ou raça, em 2019, 3,6% das pessoas de 15 anos ou mais de cor branca eram analfabetas, percentual que se eleva para 8,9% entre pretos ou pardos  No grupo etário de 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo dos brancos alcançou 9,5% e, entre as pessoas pretas ou pardas, chegou a 27,1%.

Ouça também:
Podcast #39 – “Fundeb tem que se manter para trazer as pessoas para dentro da escola”, adverte CNTE