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"Não há justificativa para dificuldades na obtenção do auxílio emergencial", diz ex-presidente da Caixa

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Imagem do site Recontaai.com.br

Presidente da Caixa Econômica Federal entre 2006 e 2011, Maria Fernanda Ramos Coelho criticou a atual direção do Banco Público por conta das diversas dificuldades que cidadãos têm encontrado para obter o auxílio emergencial, cujo repasse é operacionalizado pela instituição.

“A Caixa tinha condições de dar uma resposta. Claro que se precisa de ajustes durante sua implementação. Mas nós estamos há um mês do lançamento do aplicativo e milhões ainda estão ‘em análise’. Não há o que justifique isso”, disse Maria Fernanda em uma conversa virtual com o ex-candidato à Presidência da República pelo PSOL, Guilherme Boulos.

A ex-presidente da Caixa defendeu também que não seria necessário todos interessados no direito irem a agências para obter informações, o que intensificou o “processo de disseminação da Covid-19, tornando as unidades “pontos de aglomeração”.

“Não há uma estratégia de comunicação. Há pessoas que não receberam a primeira parcela e não sabem como receber. É um quadro bastante dramático. E a realidade só tende a piorar”, disse.

“Problema de gestão”, diz Maria Fernanda sobre filas na Caixa

Para Boulos, há falta de vontade política em resolver o problema: “Qualquer pessoa que olhe isso com o mínimo de racionalidade percebe que é uma questão mais política do que técnica”.

“É um misto de irresponsabilidade com desrespeito. Não tem nada, não tem nenhuma resposta”, concordou com Maria Fernanda, que afirmou que tecnicamente seria possível resolver a questão, o que torna a “gestão de Pedro Guimarães, Paulo Guedes e Jair Bolsonaro” responsável pelo “caos na Caixa”.

“Há vários relatos de pessoas pegando filas de oito horas, sem comer, às vezes só para obter uma informação. Ninguém é obrigado a entender nada, o governo que é obrigado a pagar. Trata-se de um problema de gestão. É possível descentralizar, utilizar outras instituições financeiras”, apontou ela. “É uma crueldade, com certeza não é somente incompetência”, complementou Boulos.

“O projeto privatista continua”

Na visão do líder do MTST, a ausência de ações efetivas para agilizar o recebimento do auxílio por todos visa desgastar a Caixa enquanto instituição pública.

“Os Bancos Públicos são fundamentais, e isso ficou claro mais uma vez. Fazemos há muito tempo o debate de fortalecimento destas instituições. Mas a moda agora é privatizar fatiando. Por conta dessa irresponsabilidade, a imagem da Caixa pode ser prejudicada novamente”, afirmou.

Coelho concordou, defendendo que o corpo técnico da Caixa é altamente qualificado e tem sofrido ataques nos últimos, mas poderia apresentar soluções: “O projeto privatista continua. A gente fica com uma certa dúvida se toda essa dificuldade não é proposital. Para mim é questão deliberada”.