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"Não adianta com uma mão atender e com a outra tirar", diz Wellington Dias sobre precatórios

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O governador do Piauí e coordenador do Fórum dos Governadores, Wellington Dias (PT-PI), criticou a ideia do Governo Federal de parcelar o pagamento de precatórios - dívidas da União com outros entes - para viabilizar programas sociais. Os estados, lembrou ele, são parte dos credores da esfera federal e contam com estes pagamentos para complementar seu orçamento.

“O que se espera? O pagamento. Isso entra no programação [de custeio] de necessidades. Não adianta com uma mão atender os estados e, com outra, tirar. Isso vai causar um desequilíbrio. Mas estamos abertos ao diálogo”, disse Dias a investidores durante um evento da XP ocorrido nesta quarta-feira (25).

Dias afirmou que é possível encontrar saídas para a priorização da questão social, mas que não é possível que a construção de alternativas se dê de forma "unilateral".

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“O pior dos mundos é ter uma aprovação atabalhoada que vá causar mais desequilíbrio [entre os governos]. É necessário entendimento”, defendeu, afirmando que os governadores têm mantido diálogo com a equipe do Ministério da Economia.

O petista colocou a volta da pobreza como o principal desafio após a superação da crise sanitária. “Depois das mortes e das sequelas em vítimas, é claro que o efeito mais nefasto da pandemia se vê na questão social. Quando se reduz renda, se reduz o consumo. No Brasil, ainda há o aumento dos preços”, disse. E defendeu como um dos principais meios para reorganizar a economia pós-pandemia e relação entre o Governo Federal e as gestões estaduais uma profunda reforma tributária: “Quando se trabalha de forma integrada – setor público, federal, estadual e municipal, e privado – as coisas andam”.

Ronaldo Caiado (DEM-GO), governador de Goiás e que também participava do evento, concordou. “Não podemos emitir moeda, não podemos tomar empréstimo sem autorização da União. Nenhum estado aguenta redução de repasse”, assentiu.

O goiano e Dias rechaçaram qualquer tentativa de ruptura do regime democrático, inclusive através da ação das polícias militares, rumor que tem crescido no meio político após a convocação de manifestações bolsonaristas para o próximo dia 7 de setembro.

"Não podemos permitir nenhum milímetro a mais daquilo que a lei permite. O mais importante é assegurar a sobrevivência do regime democrático”, sintetizou Caiado.