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Mulheres de Axé lançam nota de repúdio contra descaso do Governo frente à pobreza menstrual

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Há tempos as mulheres praticantes de religiões de matrizes africanas - Umbanda e Candomblé - unidas na associação Mulheres de Axé do Brasil (MAB) vem fazendo campanhas contra a pobreza menstrual. Utilizando terreiros, Ilês e aldeias, as religiosas distribuem absorventes às mulheres, meninas e homens transexuais, driblando o preconceito e buscando chegar à população mais vulnerável.

Ao sancionar a Lei nº 14.214, cuja autoria é da deputada Marília Arraes (PT/PE), o presidente Bolsonaro vetou a distribuição de absorventes para essa população - mesma atendida pelo MAB. Frente ao que a associação chama de "descaso perante a desigualdade criada pela pobreza menstrual", cerca de 362 mulheres elaboraram uma nota de repúdio ao Governo Federal. Confira na íntegra.

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Nota de repúdio ao descaso do Governo Federal perante a desigualdade criada pela pobreza menstrual


As Mulheres de Axé do Brasil (MAB) repudiam os vetos presidenciais à lei de combate à pobreza menstrual, aprovada pelos representantes eleitos da população brasileira. Como Rede de Mulheres de Axé, nossa luta é constante, independente de laços biológicos, temos a união e aliança entre mulheres, baseada na empatia e companheirismo, com a finalidade de lutarmos e alcançarmos objetivos em comum, o respeito ao próximo, e as nossas crenças religiosas, justiça social e a efetividade dos direitos fundamentais previstos na
Constituição Federal de 1988.


Os vetos são eloquentes. O presidente e os ministros (todos homens) que assinam a lei - esvaziada pelos vetos - reafirmam com esse ato a hipocrisia com que tratam os seres humanos, neste caso as mulheres, as meninas, os homens trans, todos com alto índice de vulnerabilidade social: querem controlar o corpo de uma parte da população e alijar essas pessoas da participação plena da sociedade, do trabalho, da educação, e
consequentemente da política.

As MAB continuarão com seu trabalho social e comunitário, em suas aldeias, ilês e terreiros, lutando para combater a necropolitica atual e para construir formas de mitigar os malfeitos do atual governo.