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Mudança climática, revolução informacional e mudança de centro mundial são desafios para a política externa, afirma Pochmann

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eleições 2022 e BRICS

De acordo com o economista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcio Pochmann, o próximo governante do Brasil terá um grande desafio na política externa. Principalmente em relação ao BRICS - sigla que representa Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, agrupamento informal de países de grande importância econômica mundial.

Isso porque, conforme descreve o professor, desde a criação do grupo, o mundo teve mudanças importantes que inviabilizam que os BRICS sejam encarados e tratados da mesma forma que governantes anteriores fizeram. E, também, pelo desdém como o governo Bolsonaro tratou esses importantes parceiros comerciais durante seus três anos e meio de governo.

Esgotamento da conjuntura que levou à criação do BRICS

"O BRICS emergiu como reação à ausência de transbordamento do enriquecimento que cada vez mais se concentrava nos gigantes corporativos do Norte Global", explica Pochmann. Ao mesmo tempo, o economista afirma que as bases que sustentavam essa ação coordenada entre países periféricos acabou.

Pochmann afirma que a mudança do centro dinâmico mundial do Ocidente para o Oriente é um dos fatores mais importantes para essa mudança. "Por excessos de neoliberalismo, o projeto de modernidade ocidental está exposto à grande regressão histórica, com o colapso da velha ordem mundial", explica Pochmann ao falar sobre a desintegração dos Estados Ocidentais, vista na diminuição do bem-estar social e na polarização política, por exemplo.

Mas não só. A segunda variável citada pelo professor é o novo regime climático, que já promoveu grandes catástrofes em diversos países e tende a piorar, conforme aponta o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU)

A aceleração das mudanças climáticas foi e é causada pela emissão de derivados do petróleo na atmosfera que, segundo Pochmann, é decorrente das relações de produção e consumo do sistema econômico ocidental. Isso apoia a teoria de diversos especialistas que acreditam que esse sistema econômico é insustentável para o planeta e para o futuro da humanidade.

A terceira e última variável - que precisará ser levada em conta em uma nova estratégia brasileira para lidar com os BRICS - é a era digital. Ou, como chamada pelo professor, a marcha da revolução informacional. Com a ratificação da economia a humanidade assiste a criação de uma interdependência de instituições nunca vista, com consequências que ainda são apenas projetadas.

A "provocação" para repensar e reiventar o papel dos BRICS no próximo período foi publicada em forma de artigo no site Terapia Política, que pode ser lido na íntegra clicando aqui.