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Mudança climática impactará primeiro pessoas em situação de rua, diz estudo

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Falta de chuvas

Segundo os pesquisadores Luiz Augusto Galvão, Mariya Bezgrebelna, Sean Kidd e Nísia Trindade Lima, ter acesso a uma moradia digna poderá ser a diferença mais importante na proteção às mudanças climáticas. O artigo assinado por eles foi publicado no portal da Fiocruz e é baseado nas análises da produção científica sobre o tema.

Baseados nos efeitos da pandemia de covid-19 - que afetou de maneira desigual os grupos étnicos e socioeconômicos -, eles analisam como o racismo sistêmico e os fatores biológicos, comportamentais e ambientais se cruzaram, levando as pessoas em situação de rua a uma situação de maior vulnerabilidade. Nesse sentido, chegaram à conclusão de que locais com grandes desigualdades sociais sofreriam os impactos das mudanças climáticas de forma mais contundente.

A falta de moradia levaria as pessoas de situação de rua a estarem expostas aos eventos climáticos - calor ou frio extremos, chuvas ou baixa umidade do ar, entre outros, bem como à falta de alimentos, à poluição, à falta de água potável e vetores de doenças, como ratos e insetos. Eles afirmam ainda que esses riscos são maximizados pelas condições de saúde pré-existentes dessa população, que muitas vezes sofre de alcoolismo, vício em drogas e não têm acesso à tratamentos de saúde.

Quem são as pessoas em situção de rua no Brasil?

De acordo com estudo do Ipea, em março de 2020 cerca de 221 mil pessoas estavam em situação de rua. Um aumento de 140% na comparação com os níveis de 2012. Outro estudo do mesmo órgão, citado pelos autores, aprofunda quem são essas pessoas no Brasil.

Conforme a pesquisa, a maior parte das pessoas em situação de rua no Brasil é composta por homens (82%), de raça negra (67%) e são jovens. Além disso, foi observada a baixa escolaridade, problemas com álcool e drogas advindos do desemprego e de desavenças com a família.

Ao contrário do que se imagina, grande parte das pessoas em situação de rua trabalha, ainda que atividades precárias.

Outras pessoas em vulnerablidade social

Além dos que vivem na rua, o estudo também levou em conta as pessoas que residem em moradias precárias. Entre elas, o riscos advém da falta de acesso à energia elétrica. Além disso, moradias precárias sofrem uma ação desproporcional nos eventos extremos tais como inundações, tornados, furações e outros.

Moradores de regiões agrícolas, em que as mudanças climáticas impossibilitam o cultivo, também estão inseridos nas pesquisas. As mudanças climáticas geram um êxodo dessas terras empurrando essa população para cidades, os chamados migrantes climáticos.

Soluções para as áreas urbanas

No artigo, foram apontadas algumas ações que podem atenuar o sofrimento das pessoas em siuação de rua. Entre elas, tem destaque a manutenção e a criação de espaços verdes. De acordo com estudos preliminares, os autores acreditam que os espaços verdes, aliados a outras políticas de direitos humanos, podem mitigar os efeitos das mudanças climáticas sobre os mais vulneráveis.

Outras políticas públicas sugeridas são a atenção médica a essa população com estruturas voltadas a essas populações. E o fornecimento de equipamentos que possibilitem a higiene das pessoas em situação de rua.