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Ministério da Educação: Victor Godoy é a continuidade de Milton Ribeiro, diz Daniel Cara

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Victor Godoy

"Embora ele seja auditor e um servidor de carreira da União, na prática ele é a continuidade de Milton Ribeiro", afirma o professor da Faculdade de Educação da USP, Daniel Cara, sobre a oficialização de Victor Godoy para o Ministério da Educação. A nomeação foi publicada na edição de hoje (18) do Diário Oficial da União (DOU).

O professor explica que a proximidade que Ribeiro e por consequência Victor Godoy construíram com a família Bolsonaro - principalmente com Fávio (senador pelo PL-RJ) e Eduardo (deputado federal pelo PL-SP) - determinou a continuidade de projeto político na pasta. "O Victor na prática vai representar a vontade, os desejos e a visão de Milton Ribeiro", opina.

Em outras palavras, Daniel Cara acredita que a entrada de Godoy é a continuação de um mesmo projeto político por meio de outra pessoa: "A estrutura muda, mas o conteúdo é o mesmo".

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O que significa a entrada de Victor Godoy politicamente?

Cara acredita que a mudança do comando da pasta da educação não mudará a prática levada a cabo até então: o toma lá da cá entre prefeitos e pastores evangélicos influentes no governo - escândalo de corrupção que fez Milton Ribeiro se afastar da pasta.

Além da relação nada republicana entre pastores, dinheiro público e barras de ouro, Daniel Cara ressalta que a tendência é que haja um aprofundamento da relação com o chamado Centrão - uma série de partidos fisiológicos que votam com o governo ou com a oposição dependendo das vantagens que possam obter. "A aproximação com o Centrão já vinha ocorrendo, não só porque essa já era uma linha de Milton Ribeiro, mas principalmente porque essa é uma demanda do Bolsonaro", esclarece o professor.

Cara ainda leva em conta o contexto eleitoral ao projetar o futuro da educação: "O contexto eleitoral vai fazer com que o Bolsonaro exija do Ministério da Educação uma postura de ceder aos anseios e desejos do setor privado, do Centrão, e principalmente dos setores evangélicos que compõem uma base eleitoral importante para o presidente Bolsonaro".

E para a educação?

A relação entre o Ministério da Educação e o setor privado também preocupa o professor da USP. "Várias ações de desregulamentação do Ensino Superior devem ser realizadas. Autorizações e encaminhamento que são contrários ao processo de regulação da educação" , disse, mencionando ser algo que pode precarizar ainda mais o ensino superior no Brasil.