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Mil dias de Inferno: Dólar nas alturas e inflação acima do teto

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Antes de ser eleito, Jair Bolsonaro prometia a queda da cotação do dólar em relação ao Real. A presença de Paulo Guedes, então costumeiramente chamado de Posto Ipiranga, anima agentes do mercado financeiro e jornalistas econômicos, que acreditaram - ou diziam acreditar - na promessa. O preço da moeda dos EUA, entretanto, se elevou nestes mil dias de governo, completados nesta segunda-feira (27). O mesmo se verificou com a inflação.

No final de dezembro de 2018, a cotação do dólar era de R$ 3,8750. Neste dia 27 de setembro, no momento da redação desta reportagem, a moeda era cotada por volta de R$ 5,34 de acordo com o Banco Central. Uma variação de 37,8%.

Durante a pandemia, o valor do dólar chegou a quase R$ 6 - alcançado a cotação de R$ 5,90. Durante 2020, de acordo com um levantamento da Austin Rating agência classificadora de risco), entre 120 países, a moeda brasileira teve o 6º pior desempenho frente à moeda dos EUA, com uma desvalorização de 22,4%

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A taxa de câmbio operando com um dólar valorizado é uma das razões apontadas por economistas para a grande inflação que se estima para o Brasil em 2021. Neste quesito, os mil dias de governo também são um desastre. Desnecessário lembrar que, assim como o dólar, a questão da inflação - ponto que é valorizado por 11 a cada 10 economistas liberais - fez parte do conjunto de promessas da dupla Bolsonaro & Guedes. E o fracasso foi igual.

Em janeiro de 2019, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses era de 3,77%. Em agosto de 2021, o acumulado dos últimos 12 meses foi de 9,68%. Só no ano de 2021 (janeiro-agosto), a inflação oficial cresceu 5,67%.

"O liberou geral para o mercado, orientação desse governo do Guedes, deu no que deu. Não temos estoques reguladores, a política de preços de combustíveis beneficia só os acionistas pela política de paridade com o preço da importação, a geração de energia com consumo descontrolado de água foi feita para beneficiar os atores econômicos desse segmento - geradoras, distribuidoras de energia e por aí vai", critica Sérgio Mendonça, economista e diretor do Reconta Aí.

O último Boletim Focus já indica um IPCA de 8,45% ao final de 2021. Caso a projeção dos agentes financeiros consolidada no Focus se confirme, o teto da meta inflacionária será estourado.  O centro da meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,75% para este ano. No entanto, esta margem pode ficar 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,25% e o superior (o teto), 5,25%.

"Ou seja, deixado o andar da economia ao sabor do livre mercado, o sistema de metas de inflação, coisa que os liberais prezam, foi pro espaço. Houve um curto-circuito na ideia de autorregulação do mercado. Se tivesse ocorrido intervenção do Estado a inflação talvez estivesse na meta", defende Mendonça.

O regime de metas de inflação foi criado em 1998, definindo o índice ideal para todos os anos desde de 1999. Em poucas ocasiões o teto foi superado: de 2001 a 2003, no final do segundo governo FHC e primeiro ano de governo Lula, e em 2015, ano marcado pela ação da oposição no Congresso obstruindo o segundo governo de Dilma Rousseff.