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Mil dias de desesperança frente ao desemprego

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Mil dias Desemprego

Em 1º de janeiro de 2019, subia a rampa do Palácio do Planalto um presidente que rachou ideologicamente o Brasil em dois. Mil dias depois, as rachaduras na sociedade brasileira são ainda maiores: saíram do campo ideológico e agora dividem o País entre quem tem renda para sustentar uma famíla e quem não tem.

Isso ocorre pois o desemprego - ou a desocupação como conceitua o IBGE - subiu, mas não é só. Indústrias deixaram o Brasil levando milhares de empregos bem pagos; a agricultura segue empregando menos que o necessário - com episódios rentes de uso de trabalho análogo à escravidão -, e o setor de serviços - o maior empregador do País - tem se reestruturado com base no emprego informal.

O resultado dos mil dias com políticas econômicas de austeridade

Atualmente, mais da metade da população brasileira está fora do mercado de trabalho. Ainda que para tanto se contam pessoas abaixo da idade de trabalhar, esse panorama mostra como está difícil a realidade da maior parte das famílias brasileiras. Em especial frente ao cálculo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do IBGE, que mostra que o salário médio do brasileiro em 2021 é o mais baixo desde 2017. No mesmo sentido, levantamento da consultoria IDados mostra que 30 milhões de brasileiros vivem com apenas um salário mínimo, atualmente  R$ 1.100,00.

Fonte: IBGE

A situação fica ainda mais crítica quando se observa a a localização da desocupação, que segue penalizando mais os trabalhadores do Nordeste.

Fonte: IBGE

De acordo com especialistas, a alta taxa de desemprego e a recuperação dos setores com salários mais desvalorizados, como o de serviços, puxa a média salarial para baixo.

Em entrevista ao G1, o pesquisador do IDados Bruno Ottoni fez projeções para o futuro:"Ainda são mais de 14 milhões de desempregados e a tendência é que as pessoas voltem subocupadas, ou seja, trabalhando menos horas do que gostariam e em empregos informais. Com mais gente nesses empregos que pagam menos, o rendimento médio vai cair mais. E as perspectivas de aumento da inflação só prejudicam ainda mais o quadro".

Subocupação e desalento

Além do desemprego, existe uma grande preocupação com a subocupação e o desalento. A subocupação citada por Bruno Ottoni se caracteriza pela população com idade para trabalhar que possui um trabalho com menos horas e menos renda do que o desejado. Ela engloba quem vive de "bicos" ou que têm uma jornada de trabalho de meio período, por exemplo.

Já o desalento é uma situação ainda mais trágica. Ele representa a parte da população em idade de trabalhar que desistiu de procurar trabalho por não acreditar que consiga se encaixar no mercado de trabalho. Ou seja, é uma população que gostaria de trabalhar, mas não acredita, por uma série de fatores, que haja vagas disponíveis.

Junto aos desocupados, os desalentados e os subocupados formam a força de trabalho subutilizada no País, como mostra abaixo o IBGE.

Fonte: IBGE

Mil dias a mais sem emprego?

As projeções econômicas para o futuro não são animadoras. Como disse Bruno Ottoni, apesar da farta mão de obra, o espaço para o crescimento das vagas é limitado e puxado para baixo pela qualidade delas. "Muita gente entra no mercado como conta própria ou informalmente, e essas pessoas tendem a ter um rendimento mais baixo do que aquelas que trabalham com carteira", afirma o especialista.

Sem grandes planos a vista para lidar com a questão, o governo Bolsonaro - que deve acabar em 2022 - não tem dado chances para chefes de família dormirem em paz.