Pular para o conteúdo principal

"Mexer na Caixa é mexer na caixa-preta da periferia"

Imagem
Arquivo de Imagem
Imagem do site Recontaai.com.br

Reinaldo Santana, diretor de teatro e cinema e coordenador de um Ponto de Cultura na periferia, fala sobre a importância da Caixa para os mais pobres.

Foto: Jonathan dos Santos/ Brasilândia, São Paulo, Brasil.

Em uma conversa matinal transmitida online pelo economista Eduardo Moreira, Sérgio Takemoto, presidente da Fenae e Reinaldo Santana, diretor e ativista cultural, discutiram o papel da Caixa para os mais pobres.

Em meio à crise sanitária e a perda de 9 milhões de postos de trabalho, como apontado por Eduardo Moreira, o papel da Caixa e de sua atuação tem se tornado pauta central no debate econômico.

Porém, os planos do governo parecem seguir outros rumos. A proposição da Medida Provisória 995 e a possibilidade de hipoteca vão na contramão do que os brasileiros precisam, segundo Sérgio Takemoto.

A periferia precisa do Estado

Cerca de R$ 3,9 bilhões do orçamento emergencial da Saúde não fooram repassados pelo governo para os municípios lidarem com a emergência de saúde pública. Além disso, os governos estaduais têm gradualmente chamado os trabalhadores a voltarem às atividades presenciais. Sobretudo as empregadas domésticas, moradoras da periferia e maiores vítimas da pandemia.

Ou seja, o governo tem um projeto que diminui o valor da vida, principalmente a dos pobres. Dentre eles, moradores de periferias que estão se arriscando diariamente nos transportes públicos.

Nos locais mais pobres do País, o estado chega de viatura promovendo a violência. Mas não leva remédios, educação e outros direitos constitucionais dos brasileiros. De acordo com Reinaldo Santana, o Estado está inclusive tirando dos pobres até o direito de sonhar. “Minha geração cresceu juntando moedinhas em um cofrinho da Caixa para comprar uma casa”, explica Reinaldo. “Hoje em dia, não é dada a possibilidade a essa criança”, afirma o diretor e ativista cultural, acrescentando que a falta de possibilidade de ligação com a terra é o germe da violência.

No mesmo sentido, Takemoto afirmou que as medidas atuais anunciadas pela Caixa não ajudam a periferia. A MP 995 e a possibilidade de crédito, por meio de hipoteca, prejudicam os mais pobres. No mesmo bojo, o presidente da Fenae falou que o programa Minha Casa Minha Vida está no fim e, com isso, o sonho da casa própria de muitos cidadãos.

Pobres, bancários e a Caixa resistem

Mesmo com o caos instaurado na periferia por causa da pandemia e da perda de empregos, as pessoas resistem. De acordo com Reinaldo Santana, essa é a hora de se unir, produzir informação e incentivar as pequenas mídias. Sobretudo para debelar o Covid-19, que segundo Santana, está sendo usado como uma política de eugenia.

Ao menos Eduardo Moreira tem um bom pressentimento sobre nossos tempos: “O fim de Paulo Guedes já começou”, afirmou. Contudo, a política de austeridade parece que seguirá por um longo tempo nessa terra se depender de Bolsonaro, Maia e Alcolumbre.

Ainda assim Takemoto, que já participou de momentos históricos do Brasil -como a reintegração dos bancários da Caixa depois de um ano de sua demissão – acena para o futuro. “Tivemos as notícias de desespero, mas logo depois tivemos a esperança”. E ainda reafirmou que esse momento ruim, também passará. De acordo com ele, basta ter união e trabalho coletivo.