Pular para o conteúdo principal

Meio Ambiente: Desmatamento atinge segunda maior média histórica em 2021

Imagem
Arquivo de Imagem
desmatamento amazônia

De acordo com o sistema Deter, do Inpe, o território total desmatado na Amazônia foi de 8.712 km² em 2021. Segundo o Observatório do Clima, esse número representa uma queda de 5% do desmatamento, o que leva o País à sua segunda pior média histórica, que só perde para o recorde anterior no ano passado, também sob a gestão de Bolsonaro.

Ainda que os dados oficiais de desmatamento do sistema Prodes sejam divulgados apenas no fim do ano, os alertas do Deter — monitoramento diário realizado pelo Inpe — dão uma dimensão do tamanho da tragédia. A partir do Deter, especialistas indicam que o desmatamento anual deverá, pela terceira vez, ficar próximo de 10 mil km².

“O destino da floresta está nas mãos das quadrilhas de grileiros, madeireiros ilegais e garimpeiros. Hoje, são eles que determinam qual será o dado oficial de desmatamento. Na Amazônia, o crime ambiental atua livremente e conta com a parceria do atual governo”, afirma Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

VEJA TAMBÉM:
- Desmatamento da Amazônia e a falta de chuvas. É coincidência?

Plano de controle do desmatamento foi abandonado

Em nota à imprensa, o Observatório do Clima afirma que o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) de 2004 foi abandonado. E, ainda que o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, "premiado" por entidades ambientais com o título de Exterminador do Futuro, tenha caído após acusações de crimes como advocacia administrativa, criar dificuldades para a fiscalização ambiental e atrapalhar investigação de infração penal que envolva organização criminosa, a situação na pasta não melhorou. Ao contrário, a "boiada" segue passando.

A ingerência do governo Bolsonaro em órgãos como o Ibama continua, assim como a paralização do uso de recursos do Fundo Amazônia. Joaquim Leite, o novo ministro do Meio Ambiente, continua seguindo a cartilha política de seu antecessor. No mesmo sentido, a criação do Conselho da Amazônia, presidido pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão, conseguiu refrear o nível da devastação ambiental.

A degradação ambiental ocorre em meio a uma tentativa mundial de refrear os efeitos das mudanças climáticas diminuindo a emissão de poluentes na atmosfera e preservando florestas e outros biomas. Astrini alerta que "os altos índices de desmatamento e o desmonte da legislação ambiental têm repercussão mundial e prejudicam imensamente a imagem do País. É neste cenário que o Brasil chegará, daqui a alguns meses, na conferência do clima da ONU”.

Observatório do Clima

O Observatório do Clima é uma rede composta por 66 organizações não governamentais e movimentos sociais formada em 2002.