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Mapa da Fome: Metade dos lares chefiados por mulheres negras está em insegurança alimentar

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Fome e insegurança alimentar em Salvador

Nem mesmo o fato de ser a capital com a maior população negra do Brasil livrou Salvador dos efeitos perversos da desigualdade racial. Segundo um estudo realizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mais da metade dos lares chefiados por mulheres negras na capital baiana concentra a maior parte das pessoas vitimadas pela fome.

A pesquisa, publicada na Revista Cadernos de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz, traz outros dados. Entre eles, o estudo revela que dos 50,1% de 14 mil domicílios soteropolitanos chefiados por mulheres negras, 25,6% estão em insegurança alimentar leve - cujas pessoas têm medo de passar fome em um futuro próximo. Outros 21,2% estão em insegurança alimentar moderada - restrição na quantidade de alimentos para os adultos - ou grave - quando a fome já está instalada.

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Uma das coautoras do estudo, Silvana Oliveira, explica a classificação dos dados, orientados no seguintes níveis:

  • residências com segurança alimentar;
  • insegurança alimentar leve;
  • insegurança alimentar moderada;
  • insegurança alimentar grave.

Os pesquisadores também buscaram fazer recortes por gênero e raça/cor. A melhor situação em relção à Escala Brasileira de Insegurança Alimentar foi encontrada nos lares chefiados por homens brancos, em que 74,5% estavam seguros.

Segundo a nutricionista Haydée Borges, em situações familiares de falta de alimentos, é comum que as famílias priorizem a alimentação das crianças. "As famílias entendem a importância que a alimentação tem para o crescimento, o desenvolvimento e a própria sobrevivência das crianças", afirma.

Embora a fome traga consequências graves para os adultos "como a perda de peso e de massa muscular, cansaço, sonolência e dificuldade de concentração", a profissional explica que são efeitos passíveis de serem revertidos quando as pessoas voltam a ter acesso à alimentação frequente e adequada.

"Já para bebês e crianças até os 5 anos, as consequências podem ser irreversíveis. As deficiências calórico-protéicas e de micronutrientes afetam não só o desenvolvimento físico, como o crescimento e o ganho de peso, mas, principalmente, o desenvolvimento cognitivo dessas crianças", destacou Haydée..

"No caso de gestantes e lactantes, a insegurança alimentar afeta diretamente a saúde e o desenvolvimento dos bebês, que dependem da alimentação adequada da mãe para a sua nutrição", prossegue a nutricionista. "A fome deixa um legado marcante para os sobreviventes: esse impacto na capacidade intelectual e criativa das crianças vai afetar o desenvolvimento social e econômico do país, num futuro não muito distante", finaliza.

Com informações da Agência Bori.