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Lula pede a movimentos sociais que sigam reivindicando suas pautas e não se tornem 'pelegos'

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Lula movimentos sociais

"Vocês são as pessoas que quando a gente governa, não viram governistas. Continuam com a mesma dignidade e compromisso com os movimentos sociais". Foi assim que o ex-presidente e pré-candidato à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva saudou os militantes de 60 movimentos sociais presentes na casa de Portugal na noite desta sexta-feira (27), em São Paulo.

Lula disse que caso volte a governar o país, irá precisar dos movimentos sociais "para fazer o que precisa ser feito" e que o compromisso não será com o governo, mas com o povo que representam. O ex-presidente disse ainda que é preciso que os movimentos sociais façam reivindicações: "Sem vocês reivindicarem, sem vocês escreverem o que desejam e cobrarem a gente todo dia, a gente não faz o que precisa ser feito. Não se incomodem de cobrar", disse.

"Não fiquem brigando entre vocês, não virem 'pelegos'. Vocês não nasceram para isso. Eu nasci no movimento sindical e sei que a gente não pode abdicar da nossa luta. Nós devemos a vocês muitas coisas e vocês não se incomodem de ser duros cobrando, senão a gente esquece", complementou.

No evento, dezenas de militantes pegaram o microfone para falar diretamente ao ex-presidente quais são as suas expectativas para um futuro governo Lula. Além disso, entregaram a ele o documento Superar a crise e reconstruir o Brasil, com as propostas que elencaram como mais importantes para o Brasil em 2023.

"Vocês fazem uma cobrança verdadeira e histórica e a única razão de termos interesse de disputar a eleição é saber que o Estado pode atender vocês"

Lula reafirmou diversas vezes que o papel dos movimentos sociais não é aderir ao governo, ou deixar de honrar os compromissos com aqueles que representam para apoiar o governo. Ao contrário, o ex-presidente afirmou que precisa que os movimentos sigam pressionando o governo - e caso ele ganhe, para que os avanços se concretizem.

No mesmo sentido, o pré-candidato fez um apanhado da situação dos movimentos sociais desde o golpe em 2016, lançando mão de uma metáfora: "Esse povo tá com sede, esse povo tá desde 2016 querendo um pouco de democracia, respeito e dignidade, e não deram a eles. É como se estivéssemos num deserto, com todo mundo com sede e a gente vê um oásis e não sabe se vai ter água para todos".

Contudo, ao que parece, a "falta de água" não será o motivo que fará os movimentos recuarem. Conforme as falas durante todo o evento, os movimentos sociais apoiarão Lula nas próximas eleições para garantir a democracia, para que eles mesmos possam seguir com esperanças de protestar e conseguir vitórias.

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Lula x Bolsonaro

Sem citar o nome do atual presidente, o pré-candidato Lula falou um pouco sobre os frutos de seu governo até agora. A carestia foi abordada a partir do altíssimo preço da gasolina e do diesel sob Bolsonaro, que segundo Lula, pode representar até metade da inflação atual.

"Não é possível pagar a gasolina e o diesel mais caros do mundo com a ciência de ponta na área de petróleo. Não é possível que o povo esteja cozinhando com lenha. Não adianta o presidente jogar a culpa na Petrobras ou na guerra da Ucrânia. A responsabilidade pelo preço dos combustíveis é do governo", afirmou o ex-presidente, que investindo na Petrobras fez com que fosse descoberto o pré-sal.

As privatizações e suas consequências também tiveram espaço no discurso do ex-presidente: "Eles venderam a BR, venderam os gasodutos e agora estamos com quase 400 empresas comprando gasolina dos Estados Unidos, pagando em dólar. Com isso, o trabalhador não pode encher o tanque do carro". Porém, para Lula, essa não é a questão primordial sobre o preço da gasolina e do diesel: "Se fosse só o carro tava bom, mas o preço do óleo diesel impacta no leite que a gente toma, no pão que a gente come", ressaltou.

Inversão de prioridades

"É preciso parar de dizer não ao povo trabalhador: aos que querem casa, saneamento básico, saúde, educação. É preciso dizer sim a esses e não aos banqueiros e empresários que, muitas vezes, só vêm explorar o povo brasileiro", afirmou Lula.

Ao mesmo tempo, o ex-presidente ressaltou que há uma enorme dívida do Estado brasileiro com o povo pobre do País. "Pobre sofre pra nascer, sofre pra morrer, sofre pra viver. Parece que tudo é difícil pro povo pobre desse país", lamentou Lula.

Prometendo mudar essa realidade, Lula concluiu: "Meu compromisso é recuperar esse País para o povo brasileiro".