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Lula na Unicamp: "Um torneiro mecânico sem diploma universitário foi o presidente que mais fez universidades no Brasil"

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Lula

Mais de 10 mil pessoas lotaram na noite desta quinta-feira (5) o Anfiteatro de Arena da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) para ver a aula magna do ex-presidente e atual pré-candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com um dos presentes - funcionário da universidade - chamou a atenção o fato de grande parte dos presentes não fazer parte da comunidade universitária.

O evento começou às 16h e contou com apresentações culturais e falas de movimentos sociais, coletivos universitários, representantes do movimento negro, indígena, de mulheres, LGBTQIA+, dos estudantes e de diversas outras entidades que apoiam a pré-candidatura de Lula.

Além de parlamentares, ex-ministros, figuras históricas do Partido dos Trabalhadores, Janja - a noiva de Lula, estudantes, professores, indígenas e líderes de movimentos sociais ocuparam o palco ao lado do ex-presidente.

"Não existe como ter um projeto nacional se o povo não estiver na universidade", afimou Fernando Haddad

Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo, foi chamado a falar antes de Lula. O ex-prefeito de São Paulo dedicou grande parte do seu discurso sobre o período em que passou à frente do Ministério da Educação no governo do primeiro presidente petista. "Vocês não têm ideia do que é ir em cada rincão do Brasil e ver nascer uma universidade. Assistirmos a essa cena centena de vezes. O povo vibrando, chorando e sonhando com o que tempo que viria pela frente", afirmou o ex-ministro.

Uma fala que conversou com o tema levantado pelos estudantes - organizadores do evento - desde às 16h. Porém, as questões universitárias não foram o único mote: ciência e educação se misturaram às questões de acesso e permanência, que têm raízes na desigualdade social que o País enfrentou na maior parte de sua história e enfrenta hoje.

Uma desigualdade social e econômica que segundo Haddad, só será superada "Quando o povo estiver na universidade, aprendendo a pensar criticamente". Com um legado à frente do Ministério da Educação e planos para administrar São Paulo, o ex-prefeito concluiu sua participação: "Nós vamos lutar para ser felizes e o momento é agora!"

Boulos: "Essa será a eleição de nossas vidas"

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e pré-candidato ao governo de São Paulo pelo Psol, Guilherme Boulos, também fez parte do bloco do evento em que Lula discursou. Segundo Boulos, que preferiu falar pouco, 2022 é o ano em que os brasileiros precisam eleger a maior bancada de esquerda da história do Congresso Nacional.

Lula vaticina: "Destruir é sempre mais fácil do que construir"

Lula abriu seu discurso aos milhares que esperaram até às 20h, horário em que o presidente começou a falar, lamentando a situação atual do País: "Eu não imaginava que depois de ter deixado a presidência em 2010, que nós fossemos estar, no ano em que o Brasil completa 200 anos de independência, pior do que estávamos em 2003".

Sem citar o atual presidente do Brasil - Jair Bolsonaro, Lula o criticou não só por sua relutância em acreditar na ciência em plena pandemia, mas também por suas ligações com fake news e milícias."Se tivéssemos alguém mais humanista, com espírito de solidariedade..." Lula começou a dizer enquanto a plateia falava uma palava de ordem contra Bolsonaro.

"Um toneiro mecânico sem diploma universitário foi o presidente que mais fez universidade no Brasil", relembrou Lula

Frente ao tema predominante do dia, Lula voltou sua aula à universidade. Foi com orgulho que Lula falou das 19 universidades federais criadas em seus dois mandatos e o 163 campus universitáros que interiorizaram as vagas das universidades já existentes.

Ao mesmo tempo, buscou na história as raízes do baixo número de universitários no Brasil. Lula relembrou que enquanto outros países da América do Sul tiveram suas primeiras universidades ainda no século XVI, o Brasil só criou sua primeira em 1920. "Criou- se a Universidade Brasil em 1920 para dar um título ao rei da Bélgica, que veio ao País. Quem governava o Brasil não queria que o povo tivesse acesso à informação", opinou o ex-presidente que possui 33 tíulos Honoris Causa concedidos por universidades ao redor do planeta.

O projeto de precarização da educação no Brasil, segundo Lula, serviu para manter o país desigual: "Enquantos os filhos dos ricos íam estudar na Europa, os filhos dos pobres ficavam amassando barro e cortando cana aqui", disse.

"E foi por isso que eu tomei a decisão de fazer investimento em educação, que nós quintuplicamos o investimento em educação", o ex-presidente explicou sobre um dos principais pilares dos seus governos. Ainda segundo Lula, era necessário criar as condições para que independente do berço, todos tivessem as mesmas oportunidades. "Não queremos tirar o lugar de ninguém, queremos igualdade de oportunidades", reafirmou.