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Lula na Time: Golpe teve "objetivo de destruir todas as conquistas desde 1943"

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será a capa da próxima edição da revista Time. A publicação, que fala em um "Segundo Ato" do petista, tem uma entrevista conduzida pela repórter Ciara Nugent.

A conversa entre os dois passa por diversos temas - indo da guerra na Ucrânia até a crise climática e a transição energética. As questões iniciais dizem respeito ao retorno de Lula à política, ou seja, o "Segundo Ato" mencionado na capa. Nelas, o líder do PT relata sua mudança de posição em relação à disputa da Presidência.

O "líder mais popular do Brasil", segundo a Time, afirma na entrevista que realmente não pensava em retornar à política institucional depois de encerrar seu segundo mandato.

"Quando deixei a Presidência em 2010, efetivamente eu não pensava mais em ser candidato à Presidência da República. Entretanto, o que eu estou vendo, doze anos depois, é que tudo aquilo que foi política para beneficiar o povo pobre [...] tudo isso foi destruído, desmontado", disse ele na entrevista.

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Na avaliação de Lula, que foi impedido de disputar as eleições de 2018, os promotores do golpe contra Dilma Rousseff (PT), sua sucessora, "eram pessoas que tinham o objetivo de destruir todas as conquistas que o povo brasileiro tinha obtido desde 1943".

O ex-presidente não revelou detalhes sobre que agenda econômica perseguirá em um eventual novo governo - "Eu sou o único candidato com quem as pessoas não deveriam ter essa preocupação, porque eu já fui presidente duas vezes" - mas afirmou que quer um governo com mais feitos que os conduziu anteriormente, mantendo as diretrizes que o consagraram.

"Só tem sentido eu estar candidato à Presidência da República porque eu acredito que eu sou capaz de fazer mais e fazer melhor do que eu já fiz. Eu tenho clareza de que eu posso resolver os problemas [do Brasil]. Eu tenho a certeza de que esses problemas só serão resolvidos quando os pobres estiverem participando da economia, quando os pobres estiverem participando do orçamento, quando os pobres estiverem trabalhando, quando os pobres estiverem comendo", declarou à publicação.

Lula, ainda no mesmo tema, reforçou o fato de que sob seus governos a economia avançou.

"Quem tiver dúvida sobre mim olhe o que aconteceu nesse país quando eu fui presidente da República: o crescimento do mercado. O Brasil tinha dois IPOs. No meu governo fizemos 250 IPOs. O Brasil devia 30 bilhões, o Brasil passou a ser credor do FMI, porque emprestamos 15 bilhões. O Brasil não tinha um dólar de reserva internacional, o Brasil tem hoje 370 bilhões de dólares de reserva internacional. […] Então as pessoas precisam ter em conta o seguinte: ao invés de perguntar o que é que eu vou fazer, olhe o que eu fiz", sintetizou.