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Lula é aplaudido de pé em discurso no Parlamento Europeu

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lula Foto: Ricardo Stuckert

Foto: Ricardo Stuckert

Com um discurso universalista e inclusivo, o ex-presidente Lula arrancou aplausos dos eurodeputados durante a Conferência de Alto Nível da América Latina, que ocorreu ontem (15) no Parlamento Europeu na cidade de Bruxelas, Bélgica.

Relembrando os avanços políticos, econômicos e sociais do Brasil durante seu governo, de 2003 a 2011, Lula afirmou que o mundo é capaz de retomar uma agenda progressista, cujo foco seja a redução das desigualdades e o respeito ao meio ambiente. O ex-presidente ainda defendeu que haja uma governança mundial, baseada na solidariedade e na cooperação, visando avanços coletivos em todas as nações, já que, segundo ele, questões como a pandemia mostraram o quanto a humanidade é interdependente apesar das fronteiras dos países.

O clima pesou

Outro ponto sensível na fala do ex-presidente foi a questão climática. Segundo ele, uma emergência que compromete "a sobrevivência da espécie humana na Terra". Lula inclusive correlaciona a desigualdade à questão climática: "A desigualdade entre ricos e pobres manifesta-se até mesmo nos esforços para a
redução das mudanças climáticas. O 1% mais rico da população do planeta vai ultrapassar em 30 vezes o limite necessário para evitar que um aumento da temperatura global ultrapasse a meta de 1,5 ºC até 2030".

"A luta pela preservação do meio ambiente para mim é indissociável da luta contra a
pobreza e por um mundo menos desigual e mais justo."

Lula

Como o Brasil lidou com a pandemia

Lula atribiu os retrocessos econômicos e sociais pelos quais o Brasil passa atualmente à chegada da extrema-direita ao poder após o golpe sofrido por Dilma Rousseff. O ex-presidente ressaltou que sob o governo Bolsonaro, a pandemia saiu de controle. "O Brasil vive hoje uma tragédia social, econômica, ambiental e sanitária sem precedentes. Temos 2,7 por cento da população mundial. No entanto, respondemos
por 12 por cento das mortes por covid-19 registradas no mundo", afirmou.

O ex-presidente ainda foi além, falando sobre o luto de mais de 610 mil brasileiros mortos pelo vírus: "Não chegamos a essa trágica estatística por alguma fatalidade, e sim pela atitude criminosa do atual governo". A atitude a que se refere Lula vai desde o negacionismo sobre a gravidade da doença, até a compra de vacinas, passando pelo desabastecimento de oxigênio hospitalar em Manaus e a disseminação de medicamentos ineficazes contra a doença, a desinformação e notícias falsas divulgadas pelo próprio presidente Bolsonaro.

Outros retrocessos sofridos pela população brasileira

Junto aos horrores da pandemia, Lula não deixou de citar o fato de que o Brasil tem uma população cada vez mais empobrecida. Ele apontou que atualmente em torno de 116 milhões de brasileiros - cerca de metade da população - vive em situação de insegurança alimentar, mesmo que o Brasil seja o terceiro maior produtor mundial de alimentos.

O ex-presidente, que pavimentou o caminho para que o Brasil saísse do Mapa da Fome da ONU em 2014 com programas como o Fome Zero e o Bolsa Família, atribuiu esse retrocesso à implementação de políticas neoliberais após o golpe: "alta concentração de renda, baixa geração de empregos, destruição de direitos trabalhistas, desmonte das políticas sociais, ausência do Estado, abandono dos mais pobres à própria sorte", citou no seu discurso.

A volta da multipolaridade em uma nova ordem mundial

Frente aos escombros que políticas de extrema direita que governaram diversas nações no último período, aprofundando o neoliberalismo e o negacionismo climático, Lula foi otimista. De acordo com ele, é possível lançar as bases de um futuro melhor para todos.

Para isso, o ex-presidente apontou a necessidade da multipolaridade de poder no mundo, com organismos internacionais, como Mercosul e União Europeia, fortes. Contudo, Lula pede bases mais justas: "Não queremos uma América Latina voltada exclusivamente para o agronegócio e a mineração. Temos total capacidade de sermos também países industrializados, tecnologicamente avançados", apontou.

Lula terminou seu discurso com uma síntese: "Acreditamos que outro Brasil é possível, outra Europa é possível e outro mundo é possível – porque, num passado muito recente, fomos capazes de construí-lo".